Está marcado para esta terça-feira (25), a primeira de três audiências em que será julgado o grupo de pessoas denunciado pelos assassinatos que tornaram sangrentas as noites no Morro da Piedade, em 2018. Mas há dúvidas se o júri será realizado, segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), em decorrência de “frequentes pedidos de adiamento”.
Foram crimes brutais, seguidos de ataques e ameaças a moradores que foram expulsos do bairro, localizado em Vitória. Resultado da guerra do tráfico de drogas na disputa por territórios. Oito caíram assassinados, além de duas tentativas de homicídio.
“Infelizmente, percebemos tentativas reiteradas para o adiamento desses júris. Estamos enfrentando inúmeros pedidos de adiamentos em processos importantes, sob alegações diversas”, relatou o promotor Rodrigo Monteiro, que atua no Tribunal do Júri de Vitória.
Monteiro destaca que o Ministério Público trabalha para que os processos sejam julgados, porque é a forma de levar justiça à sociedade capixaba. “É uma resposta às comunidades de que os crimes não ficarão impunes. Na Piedade, pessoas sem envolvimento em qualquer crime foram covardemente assassinadas”, acrescenta.
As investigações levaram a oito denúncias do MPES, uma delas acabou sendo arquivada porque o acusado de um dos crimes também foi morto no conflito entre os traficantes. Foram agendados três dias de julgamento:
Se não houver adiamentos, a expectativa é de que a sessão desta terça-feira tenha início às 9h, no Fórum Criminal de Vitória.
As investigações sobre os crimes ocorridos em 2018 apontaram que desde o final do ano anterior, um grupo de cerca de 12 pessoas portando armas de fogo e trajando toucas ninjas, coletes e coturnos se revezavam na procura pelos chefes do tráfico de drogas local, com o objetivo de eliminá-los e tomar o controle da região da Piedade, Fonte Grande e Moscoso.
Esse grupo, junto com suas famílias, tinha sido expulso dessas localidades por volta do ano de 2012, pelos que estavam chefiando o tráfico na região. O comando do tráfico na ocaisão passou para as mãos dos integrantes da Família Ferreira Dias, e foi em busca deles que estava o grupo. Contavam com o apoio da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCV/Trem Bala), que fornecia armas, munições e "mao de obra" para as ações criminosas.
Na busca pelas lideranças do tráfico, foram praticados os seguintes crimes:
Após os crimes a comunidade chegou a realizar protestos pedindo por mais segurança. Dezenas de moradores acabaram deixando o bairro em decorrência do avanço da criminalidade e do medo de novos confrontos.