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Violência contra a mulher

Novo recorde de feminicídios: como lutar por igualdade de gênero neste país?

Essa luta dentro do sistema que elimina os corpos das mulheres é uma questão de alta complexidade, que deve envolver todas as pessoas

Publicado em 16 de Junho de 2025 às 02:00

Públicado em 

16 jun 2025 às 02:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

A luta pela igualdade de gênero busca garantir que todas as pessoas, independentemente do seu gênero, tenham as mesmas oportunidades, direitos e benefícios em todas as áreas da vida, desde acesso à educação e saúde até mercado de trabalho e participação política.
Compreendido como movimento que visa acabar com a discriminação e desigualdade de gênero, por meio da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A sua importância perpassa por várias dimensões como os direitos humanos, desenvolvimento sustentável, bem-estar social e economia. A igualdade de gênero é considerada um direito humano fundamental e essencial para o equilíbrio social. A igualdade de gênero é fundamental para o desenvolvimento sustentável, pois quando as mulheres têm mais oportunidades, a sociedade como um todo se desenvolve. Ela contribui para o bem-estar social, reduzindo a violência de gênero, as desigualdades salariais e promovendo a participação de todos na sociedade.Impulsiona o avanço econômico, pois quando as mulheres têm acesso à educação e ao trabalho, a economia se beneficia.
Entretanto, essa luta não é pacífica, e os resultados almejados não são certos, considerando que alguém — nesses casos, os homens, — terá que abrir mãos de condições de vida confortável, para passar a dividir algo que antes encontra-se no cabedal de “obrigações femininas”.
Mesmo que essa questão não esteja sozinha na centralidade causal da violência contra mulheres, não se pode descartá-la, diante do tensionamento acarretado pelas mudanças sociais no papel de mulheres e homens.
A luta por igualdade de um corpo dominado gera reações imprevisíveis, que em muitos casos tem o nome de violência.
Avanços significativos — como a criação de leis que protegem os direitos das mulheres, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho e a maior visibilidade de temas como a violência de gênero e a discriminação — são observados, contudo, ainda há desafios, como a disparidade salarial, a violência de gênero, a baixa representação feminina em cargos de liderança e a falta de igualdade em áreas como saúde e educação.
A violência contra as mulheres, nas mais diversas formas, é a que mais escancara um tipo de sociedade que adota a eliminação como prática de manter o poder androcêntrico.
Na semana passadas, o Ministério da Justiça divulgou dados do Mapa da Segurança Pública de 2025, que revelam que a violência contra mulheres no país atingiu um recorde histórico, mesmo com tantos dispositivos de denúncia e mecanismos de proteção.
A pesquisa registra que, em 2024, houve o registro de 1.459 casos de feminicídio, representando um aumento de quatro mortes diárias, estabelecendo assim, um novo recorde nacional. Com o registro do crescimento de 16,1% nas tentativas de homicídio de vítimas do sexo feminino, com o total absoluto de 8.648 casos.
Violência contra a mulher, feminicídio
Violência contra a mulher Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Outro dado apresentado que merece relevo e que, mais uma vez, materializa o machismo estrutural e a cultura de objetificação da mulher foram os 83.114 registros de estupro, sendo o maior dos últimos cinco anos. De acordo com a pesquisa, no Brasil temos uma média de 227 agressões sexuais diárias, sendo 86% das vítimas do sexo feminino.
Com o alcance do maior patamar histórico nos assassinatos de mulheres, importante registrar que desde o ano de 2020, primeiro ano da pandemia, tem verificado um crescimento gradual no número absoluto de feminicídios ocorridos no país.
A luta por igualdade de gênero dentro do sistema que elimina os corpos das mulheres é uma questão de alta complexidade, que deve envolver todas as pessoas, considerando que não se trata somente de fazer cessar as mortes de mulheres e prender o agressor, mas mudar uma concepção de viver em sociedade e de respeito ao outro, neste caso, à outra.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Pública

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