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Literatura

Livro de Getúlio Neves é necessário e agrega mais do que conhecimento

A obra revela as bagagens literária, semântica e cultural do autor, que fala com maestria sobre história, direito, literatura, viagens, amizades, mulheres, canções

Publicado em 29 de Fevereiro de 2020 às 05:00

Públicado em 

29 fev 2020 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra
Aproximação entre Literatura e Direito Crédito: Divulgação

O Direito emana da vida. Essa foi a constatação que me fez enveredar por esse caminho, mas com o propósito em descobrir um Direito diferente daquele pasteurizado. A aproximação entre o Direito e a Literatura não permite a distância entre aquele e a vida. Infelizmente, nem todos aqueles que fazem do Direito seu mister se propõem a esse exercício.

Getúlio Neves é uma dessas pessoas que conseguem flanar pelo Direito por meio da vida. Constata-se isso por meio de suas obras, destacando-se “Breves Notas Quase-Literárias” (2019), feita para que o mundo se delicie com uma escrita rica de um autor, músico, poeta e magistrado que nos conduz por caminhos inebriantes. Livro de altíssima qualidade, uma aula de história e um banho de cultura, que forma parte do acervo ladeado por “Memória Repartida” (2014), “Périplo ao Norte de Tudo” (2017) e “Blues, Sonetos e Canções” (2005), entre outros.

O autor é detentor de uma narrativa detalhada que possibilita ao leitor(a) uma viagem no tempo. Na capa, em um gesto de reverência, saúda o(a) leitor(a) que mergulhará em uma obra autobiográfica, ao sorver histórias retiradas das memórias de uma caminhada de vida.

As vivências saltam das alamedas por onde o autor passou, alinhavando sua trajetória pelo mundo. De forma leve, o autor convida a flanar pelas ruas de Lisboa, Vitória e Colatina, por meio de vocabulário riquíssimo, revelando-se o menino peralta, homem atento e poeta irretocável, verdadeiro “escritor testemunha de seu tempo”, como diria o Professor Renato Pacheco, que talvez tivesse cunhado essa frase inspirado em Getúlio.

O jeito que fala do pai, com afeto e admiração, transborda no texto. As passagens do acerca do primeiro contato com Miguel Torga e o “O Sonho de Ossian” são dignos de nota pela realidade que conduz o(a) leitor(a) ao exato momento em que pai e filho vivenciam o cerne da ação da formação de um homem.

A obra revela as bagagens literária, semântica e cultural do autor, que fala com maestria sobre história, direito, literatura, viagens, amizades, mulheres, canções. É um livro necessário, que agrega mais do que conhecimento. Afinal, como bem diz o autor, “para escrever bem precisa é ler muito.”

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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