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Violência

Índices de desigualdade no Brasil dialogam com os de criminalidade

País é um dos mais desiguais e violentos do mundo, e isso não é mera coincidência. O caminho para a redução de desigualdades está na formulação e execução de políticas públicas contínuas e de qualidade

Publicado em 26 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

26 out 2019 às 05:00
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra Verônica Bezerra
Polícia em atuação após crime ocorrido no bairro Oriente, em Cariacica Crédito: Esthefany Mesquita

Desigualdade social é um fenômeno que afeta todo o mundo, em especial os países de modernidade tardia. Consiste na diferença existente entre as diferentes classes sociais, levando-se em conta fatores econômicos, educacionais e culturais. O coeficiente de Gini é uma medida de desigualdade de dados, como a renda, indicando a diferença entre os mais pobres e os mais ricos.

Os valores desse coeficiente são representados entre 0 e 1. Quanto mais um país se aproxima do número 1, mais desigual é a distribuição de renda e riqueza. Desenvolvido pelo estatístico italiano Corrado Gini, em 1912, o referido coeficiente atualmente é um dos principais indicadores de desigualdade social.

A desigualdade de renda dos brasileiros atingiu o maior patamar já registrado no primeiro trimestre de 2019. Segundo a FGV, o índice que mede a desigualdade vem subindo consecutivamente desde 2015, atingindo em março de 2019 o maior patamar, 0,6257.

O IBGE revelou recentemente, que a concentração de renda aumentou em 2018, reforçando a extrema desigualdade social no país, de acordo com os dados são da PNADC. O IPEA, buscando entender como oportunidades educacionais e de trabalho para homens entre 15 e 65 anos afetam a quantidade de homicídios, detectou que o aumento de 1% na taxa de desemprego nessa faixa etária elevou a taxa de homicídios da população em 1,8%.

O Brasil é um dos países mais desiguais e violentos do mundo, e isso não é mera coincidência. Os índices de desigualdade dialogam com os índices de criminalidade. O caminho para a redução de desigualdades está na formulação e execução de políticas públicas contínuas e de qualidade, que elevem o bem-estar social e efetive direitos fundamentais.

Os países nórdicos são referências contemporâneas, pois desenvolvem políticas voltadas para o bem-estar da população. Nesses países, há uma renda média entre todas as profissões. O investimento em educação é marca dessas sociedades, enquanto signo de redução da pobreza e da desigualdade social, e consequentemente, da criminalidade.

Não existe sociedade sem desigualdade e sem criminalidade, o desafio é reduzir os índices para o patamar do “suportável”. A forma como uma sociedade trata a desigualdade dirá como ela será enfrentada.

Verônica Bezerra

Verônica Bezerra Verônica Bezerra

É advogada, doutoranda em Ciências Sociais, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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