Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Tecnologia

Humanidade e inteligência artificial: como coexistir?

Entre chegadas e partidas, que fazem parte do nosso cotidiano, precisamos aprender a nos relacionar com a IA de forma que ela sirva para melhorar a vida humana, e jamais permitir que ela nos escravize

Publicado em 11 de Julho de 2023 às 00:30

Públicado em 

11 jul 2023 às 00:30
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Inteligência artificial vai eliminar alguns empregos no ES
Inteligência artificial e humanos Crédito: rawpixel.com / Benjamas
A semana que passou, trouxe, mais uma vez, a inteligência artificial (IA) como notícia de destaque, não mais como uma conquista ou até que ponto ela pode chegar e contribuir para o bem-estar da humanidade, principalmente no que concerne aos avanços científicos para a saúde e condições de vida mais confortáveis, mas como o confronto com a essência do humano pode remeter as pessoas a mergulharem em si mesmas.
De prima facie, é bom sempre lembrar que a IA é “artificial”, sem o ser humano não existiria, então, não podemos jamais sentenciar a substituição da IA pela vida. A IA somente existe pois foi preciso a inteligência humana existir. Outro ponto que merece relevo imperativo é que a IA não é neutra, nunca será, considerando que origina de algo que já de largada tem posição, que possui os atravessamentos da vivência de cada um que a opera ou serve a um objetivo.
Uma das notícias de destaque foi durante a Conferência da ONU que aconteceu na Cúpula Mundial sobre IA para o Bem, em que robôs humanoides alimentados por IA disseram que um dia poderão administrar o mundo melhor que os humanos, mas que ainda não controlam as emoções dos humanos.
Outra notícia foi de que a IA não entende o “não” nas conversas com humanos, o que intrigou a cientista Nora Kassner da Universidade Ludwing Maximilian de Munique, quando esta passou a analisar o IA BERT, um modelo de linguagem do Google treinado por conta própria com base em enorme volume de dados.
A terceira notícia de amplo destaque foi a campanha comercial em comemoração aos 70 anos da VW, quando por meio da IA foi possível o encontro “fictício” entre Elis Regina e Maria Rita, mãe e filha, que encheu de emoção os brasileiros, trazendo na parede da memória a lembrança de um quadro que dói mais, de momentos de uma vida não vivida, mas que poderia ser tão boa.
Se buscarmos pontos de conexão entre essas três notícias em que a IA encontra-se na centralidade, temos o desejo como ponto nevrálgico da existência humana. No primeiro, o desejo de uma administração e domínio perfeito do mundo; na segunda o desejo de nunca sermos contrariados, pois o “sim” é sempre a resposta esperada e não aprendemos a lidar com frustrações acarretados pelos “nãos” da vida; e por último, nosso desejo em sermos eternos e nunca nos despedir daqueles que amamos, principalmente nossos pais.
Entre chegadas e partidas, que fazem parte do nosso cotidiano e da dialética do viver, precisamos aprender a nos relacionar com a IA de forma que ela sirva para melhorar a vida humana, e jamais permitir que ela nos escravize ou retire de nós a essência vital que máquina ou sistema nenhum tem o poder de sentir, pois é ontológico ao ser. A IA pode tentar imitar o que já existe, mas não pulsa fazendo criar.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Seguranca Publica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Uma testemunha contou à PM que o condutor perdeu o controle da direção em uma curva acentuada. O carro bateu em um barranco às margens da pista e capotou diversas vezes
Motorista perde controle em curva e carro capota em Jaguaré
Arrascaeta em Flamengo x Bahia
Flamengo vence Bahia, homenageia Oscar Schmidt e chega à vice-liderança
Com Sofia Madeira, Brasil conquista prata na Copa do Mundo de ginástica rítmica
Com Sofia Madeira, Brasil conquista prata na Copa do Mundo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados