Se perguntarmos ao senso comum o que é feminismo e o que é futebol, entre as várias compreensões, encontraremos respostas no sentido de que feminismo é “coisa de mulher” e futebol é “coisa de homem”. Ledo engano. Há muito tempo as mulheres já ocuparam o futebol, mesmo ainda sendo vítimas de preconceitos e violências; e o feminismo também diz respeito aos homens, quando enfrenta a estrutura de uma sociedade e de um Estado machista e misógino, que a cada dia produz milhares de vítimas por sua ação ou omissão.
O feminismo, enquanto movimento social, político, filosófico e ideológico, foi construído por ações de resistência de mulheres ao longo da história da humanidade, em diversas áreas, com o condão de lutar por direitos iguais e uma vivência respeitosa por meio do empotenciamento feminino e da libertação do modelo patriarcal, ancorado nas questões de gênero. Muitas mulheres deram a vida para que outras pudessem ter uma vida livre da violência, da submissão e da lógica de que mulher é um objeto que pode ser usado e depois descartado.
Já o futebol, enquanto desporto mais popular do mundo, além de movimentar milhões de pessoas, também conta com uma movimentação milionária, fazendo com que alguns jogadores se tornem celebridades, donos de contas bancárias recheadas, em detrimento de milhões de meninos e meninas anônimos que não conseguem atingir o mesmo resultado.
Outro ponto de relevo nesse tema é o fato de a seara do futebol feminino ser bem menos badalada e remunerada do que a do masculino, indicando que o feminismo também precisa se espraiar pelo futebol. As condutas misóginas ainda fazem parte da estrutura do futebol.
Esse é o caminho para que mulheres não sejam mais vítimas de estupro, homicídio, desrespeito ou ameaças, para que tenham os mesmos direitos dentro dos times enquanto profissionais e possam frequentar os estádios em pé de igualdade e sozinhas. Assim, esse jogo terá resultado favorável para a sociedade, com a certeza de que o futebol é potente ferramenta de formação de sujeitos de direitos, e não celeiro de condutas que reforçam práticas e discursos machistas.