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Sociedade

Enfrentando nossos medos coletivos e resgatando nossa humanidade

O intitulado “tempo sombrio” foi causado por algo que sempre esteve em nosso meio, ao nosso lado e dentro das nossas famílias. Produto do meio social e que, mesmo que criemos resistência em admitir, não chegou sem avisar

Públicado em 

31 out 2022 às 00:50
Verônica Bezerra

Colunista

Verônica Bezerra

Em recente artigo no site Outras Palavras, que se propõe a fazer um jornalismo de profundidade, Boaventura de Souza Santos traz algumas pertinentes reflexões acerca de como frear o ciclo do medo que assola a nossa sociedade.
O renomado autor resgata que nossas relações coloniais são verdadeiros fantasmas que sempre estão à espreita e prestes a devorar a nossa esperança. Frisa que o que acontece no Brasil na atualidade é um exemplo disso, principalmente quando diante de crises, que são comuns em qualquer tempo e lugar, nos perdemos e demoramos mais do que o necessário para encontrar a saída dos labirintos. Fazemos perguntas aleatórias e demoramos a concatená-las com a essência da nossa humanidade.
Souza Santos, de forma disruptiva, crava a sentença de que somente conseguiremos avançar e afastar ameaças e medos se, enquanto sociedade, revertermos o epistemicídio que historicamente nos foi imposto no processo de invasão, chamado de “descobrimento”. E ainda indica que isso somente será possível quando nos propusermos a resgatar os valores e saberes atacados pelo eurocentrismo.
O tempo atual que vivemos, e que por vezes podemos não compreender, nos convida a retomar a nossa ferida colonial que foi produzida ao longo da história pelo patriarcado, colonialismo e capitalismo, para, somente assim, compreendermos o sexismo, o racismo e o classismo, respectivamente. Intuo que, somente assim, retomamos as pistas para enfrentar as dores que produzimos no outro e sentimos do outro, em um movimento espiral e permanente.
Se propor a esse exercício, por mais que nos confronte com nossas próprias mazelas e cause um inicial desconforto, a posteriori pode nos ensinar a lidar com alguns fenômenos que se tornaram corriqueiros em nossa sociedade, e por consequência, produziu fissuras e abismos entre os que pensam diferente entre si.
Trata-se de lutar por uma justiça epistêmica, como bem asseverou Sousa Santos, e ter a possibilidade de afastar algo que não nos pertence, mas fora imposto por um sistema violador eurocêntrico.
O intitulado “tempo sombrio” foi causado por algo que sempre esteve em nosso meio, ao nosso lado e dentro das nossas famílias. Produto do meio social e que, mesmo que criemos resistência em admitir, não chegou sem avisar. A grande pergunta que cabe é a mesma feita na cena final do filme "Spotlight": onde nós estávamos quando aconteceu isso tudo?
A notícia boa é que a chave da resposta está conosco. A humanidade é causa, mas também é solução. Entre uma e outra estão os processos, que são dolorosos, mas possíveis. Então, encaremos a realidade, pois temos muito o que fazer.

Verônica Bezerra

Advogada, coordenadora de Projetos CADH, mestre em Direitos e Garantias Fundamentais (FDV) e especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública

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