A dificuldade do ser humano em lidar com o passar do tempo é histórica e data desde o principio do mundo. Envelhecer, consequência natural da vida, virou algo temido por muitas pessoas, que em uma correria louca buscam saídas para o que é inevitável.
Parar o tempo não é possível, nem mesmo para o Dr. Brown, o cientista do filme “De volta para o futuro”, interpretado pelo ator Christopher Lloyd. O ser humano dedica boa parte de tempo, recursos e conhecimento, em minimizar ou retardar as consequências do tempo no corpo.
Algumas das alternativas dialogam com o bem viver e com os cuidados com a saúde, incidindo no global da vida humana. Direcionado a corpo e mente das pessoas, que por consciência ou necessidade precisam rever a forma de vida. Outras, porém, extrapolam os limites da natureza, condições corpóreas e capacidades mentais, e acabam por colocar em risco a vida.
Uma dessas alternativas é o “chip da beleza”, como é popularmente conhecido. Trata-se de um implante prescrito como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução de gordura corporal, aumento da libido e massa muscular.
A medida, de acordo com recente matéria veiculada na CNN Brasil, tem sido condenada por parte da classe médica e não é aprovada pela Anvisa, principalmente por não possuir informações adequadas de farmacocinética, eficácia ou segurança. E ainda, de acordo com os médicos, não há dose segura para o uso do hormônio para fins estéticos ou de performance, sendo seus efeitos colaterais imprevisíveis e graves, tais como infarto, AVC, tromboembolismo, complicações renais e hepáticas, somente para citar algumas.
A gerontofobia é quando o medo de envelhecer se torna algo que precisa ser tratado como doença. O comportamento da pessoa que nega o passar do tempo e adota mecanismos para afasta-lo é um sintoma.
O medo de envelhecer está ligado intimamente com o medo da morte, que por sua vez revela a dificuldade em encarar a finitude da vida biológica. Diante desse desespero, adotam-se saídas, que em muitas das vezes abreviam a própria vida.
O processo do viver deve ser algo com fruto próprio. Em um compasso de compreender o que a vida nos oferece em cada momento de vivência. Receber as dádivas do cotidiano, e principalmente não recursar nada, pois tudo faz parte do processo.
Nós nos preparamos para morte durante a vida, e mesmo que seja algo que não pensemos, a forma como vivemos revela muito a forma como vamos encerrar nossa caminhada por essas bandas. O envelhecimento é um processo de preparação. É caminho, com todas as dificuldades a nele inerentes. Excluí-lo acarreta consequências severas.
De certo, utilizar mecanismos arriscados para mudar o curso natural do tempo não é a melhor saída. Quem sabe cuidar mais dos processos, e ter menos expectativas com resultados, seja a melhor alternativa para, ao final da travessia, olhar pelo retrovisor e ver que o pulsar vivente valeu a pena.