Mais um 1º de maio se aproxima, dia em que se faz alusão ao Dia do Trabalhador, feriado nacional no Brasil, e internacionalmente remete-se à luta histórica de trabalhadores para conquistar melhores condições de trabalho. A origem está no movimento capitaneado pelos trabalhadores na Cidade de Chicago, EUA, no final do século XX.
Ao longo da história da humanidade e nas diversas sociedades, o trabalho adquire formas diferentes, se amalgamando a cada tempo e a partir de cada necessidade. A compreensão do que é trabalho muda ao longo do tempo, principalmente no período industrial em que a força humana passava a ser necessária para a produção de riquezas, de um sentido negativo para positivo, valorizado. Ao contrário, o ócio e a vida pacata tornam-se cada vez mais desvalorizados. E, em alguns casos, a vadiagem foi considerada crime.
Quando Karl Marx afirma que o trabalho é a atividade por meio da qual o ser humano produz sua própria existência, nos apresenta a premissa de que o ser humano não deveria existir para o trabalho, mas seria este somente a forma de produção para manter-se vivo. Uma forma de ter acesso aos bens e serviços, estes que não seriam obrigação do Estado. E não como meio de produção de riqueza para as elites pelas classes mais vulnerabilizadas.
O impacto do trabalho e de seu contexto exerce grande influência na construção da subjetividade, a ponto de existirem áreas do conhecimento dedicadas a estudar as formas em que se constituem as relações de trabalho e seus desdobramentos na vida das pessoas, incluindo a produção de doenças e a reprodução de processos violadores de trabalho.
As mudanças sociais que interferem no decorrer da história mantêm em permanente transformação as relações de trabalho. Após a Revolução Industrial, temos a globalização como um dos recentes fenômenos históricos que alteraram as relações sociais e, por consequência, as relações de trabalho.
A perene interconexão que encurta distância e alonga os períodos de trabalho, invadindo o tempo de lazer. A invenção do “home office” espraia o local de trabalho para dentro das casas, invadindo espaço do descanso, subserviendo-se ao discurso da competitividade inerente ao mercado de trabalho.
A fórmula macabra — economia liberal, mercado globalizado e competitivo, avanço tecnológico, velocidade na transmissão e comercialização de tecnologia — acarreta como resultado perverso não somente pessoas como solução para obter um diferencial de competitividade, mas uma legião de seres humanos que esquece no fundo das gavetas dos birôs a vida que realmente deve ser vivida.
Como forma de disfarçar o processo de exploração do trabalho das classes, instalam-se modelos administrativos que tentam introduzir por meio de discursos envolventes, mas fálicos, que atribuem status e nomenclaturas diversas aos trabalhadores e trabalhadoras, que continuam vendendo sua força de trabalho para sobreviver, esquecendo-se que a vida é bem maior do que o trabalho.
O dia 1º de maio é momento de reflexão das condições de trabalho da maioria das pessoas que ainda suportam situações de precariedades, assédio e, infelizmente, trabalho análogo à escravidão, em uma sociedade que tenta viver sob a falácia do empreendedorismo e da livre negociação entre patrão e empregado.