Nas franjas de mais um 13 de maio, volvemos a atenção reflexiva para a falsa abolição que faz 133 anos. A dita abolição do trabalho escravo no Brasil deve ser uma data de protestos contra as violências que atravessaram séculos e continuam vitimando a população negra, numa concretização do racismo nosso de cada dia.
A realidade atual, que se arrasta há mais de cem anos, coloca em xeque a narrativa registrada por muito tempo nos livros de história de que os males da escravidão foram resolvidos, imediatamente, à assinatura de Isabel. A igualdade racial é uma falácia.
O 13 de maio é uma data importante pelo simbolismo que adquiriu nas lutas sociais do Brasil e pelo processo social que fora interrompido, transformando o significado de pertencimento dos negros à nação brasileira.
O processo de abolição foi repassado para as gerações como um acontecimento romantizado e concedido, submetendo o processo de luta e resistência que ocorreu. Em um primeiro momento a abolição pareceu uma dádiva, e não como uma conquista de movimentos sociais e populares.
Na verdade, o sistema da época cedeu, e não concedeu, como acontece nos processos de lutas. A luta do povo negro surgiu desde o primeiro momento que uma pessoa escravizada foi trazida da África, contra um regime que buscava manter o controle social dos corpos negros, reduzindo-os à coisa e tentando retirar-lhes a dignidade.
É importante compreender o processo da abolição como farsa, em uma tentativa de anular o protagonismo histórico do movimento negro, mas que não garantiu a reparação a uma população que construiu as riquezas desse país e tampouco criou mecanismos de inclusão no mercado de trabalho aos ex-escravizados e seus descendentes.
13 de maio é um dia de denúncia contra o Estado brasileiro que ainda é responsável pela condição de miserabilidade e vulnerabilidade que a população negra enfrenta, decorrente de uma falsa abolição que pavimentou a consolidação do racismo.
A ancestralidade negra sempre sonhou a liberdade, numa ousadia insistente responsável pela sobrevivência ao horror com altivez, de uma gente que sonhou com um futuro diferente.
Denunciar a abolição como uma farsa histórica e de forma crítica é determinante para alertar a existência e a persistência do racismo, a despeito do fim da escravidão, sob pena de incorrer em uma visão simplificada dos processos sociais.
O fim do racismo, do genocídio negro e das chacinas como um exemplo de ressignificação da data histórica é o que uma sociedade deve perseguir e, de prima facie, estabelecer o 13 de maio como um dia importante para a construção de uma consciência coletiva antirracista, pois, seja em 1888, seja em 2025, a questão em jogo é a mesma, a luta contra a violência de Estado contra o povo negro.