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Sávio Bertochi Caçador

Bússola do amanhã: como o Ensino Superior pode guiar o Estado rumo ao ES 500 Anos?

É no chão das nossas salas de aula e laboratórios – com a excelência da Ufes, a capilaridade do Ifes e o dinamismo das boas instituições privadas – que se gesta a matéria-prima do amanhã

Publicado em 07 de Novembro de 2026 às 03:30

Públicado em 

07 nov 2026 às 03:30
Sávio Bertochi Caçador

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Sávio Bertochi Caçador Sávio Bertochi Caçador

Projetar o Espírito Santo para 2035 não é mero exercício cartográfico; é um pacto com a nossa própria capacidade de reinvenção. O Plano ES 500 Anos traçou metas audaciosas: posicionar o Estado entre os líderes em inovação, produtividade e complexidade econômica.


Contudo, nenhuma transformação dessa magnitude se sustenta sem a engrenagem vital do conhecimento. É no chão das nossas salas de aula e laboratórios – com a reconhecida excelência da Ufes, a capilaridade do Ifes espalhada pelo território e o dinamismo das boas instituições privadas – que se gesta a matéria-prima do amanhã.

Prédio da administração central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Prédio da administração central da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Carlos Alberto Silva

Para cruzar essa fronteira, todavia, o entusiasmo precisa dar lugar à intenção estratégica e à evidência empírica. Diagnósticos recentes do ecossistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), como os dados do boletim temático do OCTI/CGEE em parceria com a Fapes, e as diretrizes do Plano Estadual de CT&I (PCTI-ES) apontam para uma urgência incontornável: a expansão e o alinhamento da formação em áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) com as vocações do estado. 


Essa coordenação exige um diálogo institucional permanente entre o governo estadual e as Instituições de Ensino Superior (IES) para sintonizar ainda mais a formação acadêmica às missões de desenvolvimento regional.


Todavia, formar quadros qualificados resolve apenas metade da equação. Como alerta o economista Paulo Feldmann (FEA/USP), o Brasil enfrenta um gargalo histórico no transbordamento econômico da ciência: enquanto em economias maduras como EUA e Japão cerca de 80% dos pesquisadores atuam diretamente no setor privado, no Brasil essa proporção cai para modestos 30%, mantendo a inteligência científica majoritariamente confinada ao setor público. Essa desconexão reflete-se no desempenho tímido do país nos índices globais de inovação e cobra um preço alto em termos de produtividade.


Superar esse entrave exige romper barreiras culturais e institucionais. O Espírito Santo precisa abandonar a visão arcaica que isola o cientista no ecossistema acadêmico, adotando um modelo dinâmico em que a produção de conhecimento dialoga diretamente com o mercado. 


O governo estadual, em articulação com as entidades empresariais, pode induzir essa convergência por meio de incentivos de via dupla: premiando o esforço de transferência de tecnologia dos pesquisadores e estimulando o setor privado a consumir e cofinanciar a pesquisa universitária capixaba.

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Experiências consolidadas no país mostram que essa simbiose é o caminho: o Inatel impulsionou o Vale da Eletrônica em Santa Rita do Sapucaí (MG); o ITA fundamentou o polo aeronáutico de São José dos Campos (SP); e a COPPE-UFRJ converteu-se no motor tecnológico do setor de petróleo e gás no Rio de Janeiro.


O Espírito Santo dispõe de vocações maduras e emergentes para trilhar jornada análoga. Articulando os braços de fomento e financiamento – Fapes, SECTI, Sedes, bancos públicos estaduais e o Fundo Soberano (Funses) –, cabe ao Estado identificar e potencializar centros de pesquisa em áreas estratégicas – da bioeconomia à transição energética, saúde e agronomia –, garantindo também as condições para a incubação, aceleração e permanência de deep techs – startups nascidas de pesquisas científicas de ponta – em solo capixaba.


O futuro do Espírito Santo rumo a 2035 não se desenhará por inércia, mas pela coragem de integrar a excelência acadêmica à estratégia de desenvolvimento regional. Ao aproximar universidade, governo e setor produtivo sob a mesma bússola, o Estado poderá alcançar suas metas estratégicas e também se posicionar como um dos maiores faróis de inteligência, inovação e prosperidade sustentável do país.

Sávio Bertochi Caçador

Sávio Bertochi Caçador Sávio Bertochi Caçador

É economista, doutor em Economia pela Ufes, professor e consultor

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