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Rodrigo Medeiros

Neoliberalismo radical não é capaz de atenuar desigualdades na América Latina

Polarizações ideológicas já eram vistas como inevitáveis em sociedades muito desiguais

Públicado em 

08 mar 2019 às 17:06
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

Venezuelanos observam movimentação na fronteira com o Brasil Crédito: Daniel Teixeira/Agência Estado
Em 2007, publiquei um artigo acadêmico no “Observatorio Iberoamericano del Desarrollo Local y la Economía Social”, revista editada pela Universidade de Málaga, sobre dilemas do desenvolvimento na América Latina. Naquele tempo, minha preocupação girava em torno do personalismo hispano-americano, que, por sua vez, se apresentava, no meu entendimento, como parte do imbróglio geopolítico regional para o Brasil.
Polarizações ideológicas já eram vistas como inevitáveis em sociedades muito desiguais. Afinal, estariam essas sociedades reféns de repetir as suas próprias histórias como tragédia e farsa? As anatomias de poder imersas nas relações sociológicas podem esclarecer parte desse drama. Essas questões complexas não podem ser resolvidas a partir da importação das instituições, incluindo normas de convívio social e formas de pensamento, dos países mais desenvolvidos.
O avanço de um neoliberalismo tosco e radical tampouco será capaz de atenuar as graves desigualdades socioeconômicas na região. Do ponto de vista das semelhanças das crises na América Latina, destaquei no artigo que “nos próprios ciclos de euforia, a elasticidade-renda da demanda construía as condições do estrangulamento das contas externas. Ao elevar-se a renda média da população, a busca por produtos mais sofisticados aumentava”.
Em síntese, como centros cíclicos do sistema econômico global, os países mais desenvolvidos difundem padrões de consumo pelas vias do progresso técnico endógeno. Incompatíveis com as realidades de consumo da periferia do sistema, os países mais pobres vivem ciclicamente processos inflacionários, endividamento do Estado e crises cambiais. Quando se inclui uma alta taxa de informalidade na economia e a precarização das relações laborais, o quadro estrutural do subdesenvolvimento fica mais completo.
A Venezuela possui um ingrediente complicador na nossa região, algo que a literatura chama de “a maldição dos recursos naturais”. Nesse sentido, destaco o diagnóstico de Celso Furtado feito em 1957. Segundo ponderou o professor, “as etapas de rápido crescimento com base em estímulos externos, quando não produzem mudanças estruturais do sistema econômico, tendem necessariamente a um ponto de estagnação”. Nesse quadro, a elevação do coeficiente de importação aumenta a dependência do setor exportador e amplia a vulnerabilidade externa da economia. Para Furtado, “a expansão do setor petroleiro foi condição necessária, mas não suficiente pra que se desenvolvessem os demais setores”.
 

Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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