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Rodrigo Medeiros

Dependência da exportação de commodities traz menos desenvolvimento

Estrutura produtiva do Espírito Santo possui complexidade econômica bem abaixo da média da Região Sudeste

Publicado em 31 de Maio de 2019 às 21:25

Públicado em 

31 mai 2019 às 21:25
Rodrigo Medeiros

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Rodrigo Medeiros

Economia Crédito: Divulgação
Entre as interessantes discussões que estão ocorrendo no âmbito do Observatório do Desenvolvimento Capixaba (ODC), destaca-se a questão da complexidade econômica. Compreendida como uma medida de sofisticação da estrutura produtiva de um país, a complexidade econômica derivou de um projeto conjunto entre pesquisadores da Universidade de Harvard e do MIT, com destaque para os professores Ricardo Hausmann e César Hidalgo. No Brasil, destaca-se a contribuição do economista Paulo Gala (FGV/EESP), com quem temos um excelente diálogo.
Estudos e pesquisas no âmbito do ODC apontam que a dependência da exportação de commodities é quase exclusivamente um fenômeno de países em desenvolvimento. Em síntese, quanto menos desenvolvido for um país, maior essa dependência. No Brasil, essa dependência encontra-se em uma faixa bastante perigosa, entre 60-80%, de acordo com os números da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad, em inglês).
O problema detectado pela literatura internacional sobre a complexidade econômica é que há restrições estruturais nesse tipo de dependência para a redução das desigualdades sociais. A estrutura produtiva dos países importa para o desenvolvimento econômico e social. Essa literatura aponta para o fato de que o aumento da complexidade econômica de uma estrutura produtiva contribui para a redução da desigualdade social em um país.
No ranking da complexidade econômica elaborado pelo Observatório da Complexidade Econômica do MIT, o Brasil encontra-se na posição 37 de um total de 129 países. Há, portanto, um enorme hiato entre o peso econômico global do Brasil e a sofisticação da sua estrutura produtiva, sendo que esta mesma está restringindo as suas perspectivas de desenvolvimento. Não causa surpresa que a retomada econômica após a recessão seja bem decepcionante na ausência de um boom global de commodities.
Com desemprego, subutilização laboral e desalento em níveis alarmantes, o quadro é preocupante para as unidades federativas. O Estado do Espírito Santo possui um grau de abertura comercial superior à média da economia brasileira. No entanto, a sua estrutura produtiva possui uma complexidade econômica bem abaixo da média da Região Sudeste, da ordem de 104% inferior. Nesse sentido, uma política de desenvolvimento regional comprometida efetivamente com a redução das desigualdades sociais precisa passar pelo aumento da complexidade econômica da estrutura produtiva, ou seja, não será mais satisfatório fazer “mais do mesmo”.

Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade

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