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Negócios

Aprendendo o valor do networking com Kelly Slater, a lenda do surfe

Slater é também um grande empreendedor. Juntou uma equipe de engenheiros e fundou a Kelly Slater Wave Company (KSWC), que desenvolveu um sistema que produz as melhores ondas artificiais em piscinas

Publicado em 06 de Agosto de 2025 às 05:02

Públicado em 

06 ago 2025 às 05:02
Rafael Furlanetti

Colunista

Rafael Furlanetti Rafael Furlanetti
Existem recursos no mundo do empreendedorismo que só percebemos o valor quando os usamos. Acontece uma emergência, precisamos resolver um problema, criar um novo negócio, e nos lembramos de pessoas que conhecemos e que podem nos ajudar ou indicar um contato, um fornecedor, um local.
É o chamado networking, ou a nossa rede de relacionamentos, uma das coisas mais valiosas no mercado. Por meio do contato com pessoas, aprendemos, descobrimos oportunidades, fazemos parcerias e impulsionamos empreendimentos. Sem gente não tem negócio.
Tive a oportunidade de conversar na semana passada sobre esse tema com uma das principais figuras do esporte internacional, Kelly Slater, considerado o maior surfista de todos os tempos. Em cima da prancha, ele foi o mais jovem e o mais velho campeão mundial. No total, ganhou 11 títulos mundiais. Competiu até os 52 anos. É uma lenda.
Já seria o suficiente, mas Slater é também um grande empreendedor. Juntou uma equipe de engenheiros e fundou a Kelly Slater Wave Company (KSWC), que desenvolveu um sistema que produz as melhores ondas artificiais em piscinas. Criou a marca de roupas Outerknown e a Slater Designs, uma empresa que produz pranchas de surfe com materiais sustentáveis — e tem tudo a ver com os propósitos dele, um ativista da preservação dos mares.
Na nossa conversa, Slater lembrou o valor do networking para os negócios e a vida. Para ele, networking é fazer amigos nas diferentes áreas em que você está interessado. Na visão dele, quando estamos começando um novo negócio e temos um bom networking, pensamos nas pessoas que conhecemos ao longo da vida e que podem ser capazes de fazer uma tarefa, de nos ajudar, indicar outras ou até de trabalhar conosco. Preenchemos as lacunas de ideias e projetos com nossa experiência, mas também com nossa história e com pessoas que conhecemos ao longo da nossa trajetória.
“Fiz muito isso. Quando eu comecei uma empresa de roupas, por acaso (lembrei que) uma vez eu fui a Nova York e encontrei um cara que estava muito interessado na mesma coisa que eu e era amigo de amigos meus. Então, o primeiro telefonema que eu dei quando eu ia começar minha empresa foi para esse cara. Às vezes, são pessoas que apenas aparecem na sua cabeça e você pensa ‘essa pessoa pode me ajudar com alguma coisa, talvez eu possa ajudá-la com outra’”, disse.
Eu concordo muito com a ideia do Kelly Slater de que o networking não deve ser usado para fazer alguma coisa sempre esperando que a outra pessoa faça algo em troca imediatamente. Não é um “toma lá, dá cá”. As pessoas mantêm você em mente e vão pensar em você quando surgir uma oportunidade.
Kelly Slater, surfista norte-americano
Kelly Slater, surfista norte-americano Crédito: Pedro Szekely / Wikimedia Commons
Networking é fundamental para a vida. Vamos olhar para a circunstância atual. Nas últimas semanas, exportadores brasileiros trabalharam demais para conseguir encontrar caminhos para seus negócios por causa do tarifaço imposto por Donald Trump.
Pode ter certeza de que o networking serviu para os levar a conversar com gente do governo brasileiro e também a procurar ajuda com empresários nos Estados Unidos. E isso foi decisivo para tirar muitos produtos da lista. Foi o caso da Embraer: os compradores de seus produtos, as grandes empresas americanas, pressionaram o governo Trump a ceder porque seriam prejudicados.
E mais, a rede de relacionamentos poderá servir para buscar mercados alternativos para os produtos brasileiros no futuro, se for necessário.
Situações assim reforçam o que falei no início: algumas vezes percebemos o valor de alguns recursos quando precisamos deles.

Rafael Furlanetti

Rafael Furlanetti Rafael Furlanetti

Capixaba de São Gabriel da Palha, é sócio e diretor de Relações Institucionais da XP e presidente da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias). Escreve quinzenalmente neste espaço sobre empreendedorismo, inovação e negócios ao público do Espirito Santo

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