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Música

Santiago Emanuel vai da psicodelia ao samba em disco de estreia

Veterano da cena capixaba, Santiago Emanuel estreia como artista solo no disco "Corpos Celestes", gravado no lendário estúdio Abbey Road, em Londres

Publicado em 17 de Novembro de 2021 às 12:10

Públicado em 

17 nov 2021 às 12:10
Rafael Braz

Colunista

Rafael Braz

Músico Santiago Emanuel
Santiago Emanuel mistura psicodelia e música brasileira em disco gravado no lendário Abbey Road Crédito: Francisco Xavier/Divulgação
Santiago Emanuel é um veterano na cena capixaba. Hoje, aos 39 anos, o multi-instrumentista já tocou em diversas bandas e acompanhou Fepaschoal como parte do coletivo Expurgação. É até surpreendente, assim, que apenas agora ele lance seu disco de estreia, “Corpos Celestes”. “A ideia era ser plural ao retratar minhas vivências pelo Brasil e pelo mundo, para mostrar as coisas que eu curto. Mas ainda não é tudo (risos), tem muito mais para mostrar”, conta Santiago, em uma chamada de vídeo.
As vivências a que ele se refere são viagens de carona que fez pela América do Sul, sempre ao lado de seu violão, e da proximidade da natureza que sua nova casa, na Ilha Grande, no Rio de Janeiro, o proporciona.
“Eu gosto de priorizar isso. Os contatos que a gente tem com a natureza, com os elementos da natureza, as experiências marcantes com algumas substâncias que podem ser lisérgicas, como a ayahuasca ou a cannabis, são oportunidades para você se ver muito de dentro”, explica o músico. “Isso te reorganiza espiritualmente se você usa com um intuito de autoconhecimento, autocura. A gente só tem que fazer fluir o amor, por isso essa mensagem de união, de valorizar as coisas simples da vida”, completa.
“Corpos Celestes”, de fato, é repleto de psicodelia desde sua arte, mas o disco vai muito além. Em suas 11 faixas existe rock psicodélico britânico, tropicalismo, samba, latinidade, música africana e influências asiáticas - o mais interessante é que, apesar de toda a diversidade de referências sonoras, o disco nunca passa a impressão de um Santiago perdido, muito pelo contrário, mostra uma produção segura que consegue passear por tudo isso sem perder a identidade do artista.
O disco de estreia de Santiago Emanuel tem uma mensagem de paz e espiritualidade que pode remeter à fase Racional, do grande Tim Maia, como na reflexiva “Árvore da Vida”, ou à música indiana, como em “Gilgamesh”, mas que também pode ser direta, como na roqueira Dividir e Conquistar”.
“Eu Vi Num Transe”, já gravada por André Prando, tem inspiração no livro “Fela: Esta Vida Puta”, biografia do genial Fela Kuti escrita por Carlos Moore. A música, assim como “Salve Seu Brother”, já foi gravada por André Prando, mas ambas são de autoria de Santiago.
Músico Santiago Emanuel
Santiago Emanuel mistura psicodelia e música brasileira em disco gravado no lendário Abbey Road Crédito: Francisco Xavier/Divulgação
O disco ainda tem sua camada samba, curiosamente deixada para o final com a dupla “Baga Boa” e “Vai Brasil”. A primeira é um animado samba, com letra esperta e bem-humorada; já “Vai Brasil” tem uma pegada mais clássica. “Me remete a uma coisa quase Villa-Lobos, uma coisa mais épica”, pondera o músico. A música, vale dizer, é de autoria do pai de um amigo de Santiago, uma das vítimas da Covid-19 no Brasil.
“Ela tem um poder muito grande. O Seu Guilherme tem um livro maravilhoso de sonetos e essa música eu tirei de lá. Ela bota pra cima, é otimista e saudosista. Esse disco é muito dedicado a ele”.
“Corpos Celestes” foi gravado em diversos cantos - Santiago saiu de Vitória para Londres com a cozinha (baixo e bateria) já gravada por aqui. Na capital inglesa, ele foi se encontrar com o produtor Arthur Navarro, que assina a produção do disco no lendário estúdio Abbey Road, por onde já passaram os Beatles, David Bowie, Radiohead, Oasis, Amy Winehouse, entre tantos outros. Foram 20 dias de estúdio para dar ao disco todas as suas camadas de instrumentos. “É um lugar místico e sonho de todo músico do planeta”, conta Santiago.
O disco de estreia de Santiago Emanuel é um trabalho surpreendentemente maduro, fruto de anos de vivência musical, mas também de um artista em uma jornada de autodescobertas. É fácil definir “Corpos Celestes” como uma obra psicodélica tropicalista, mas seria simplista - o disco tem diversas camadas que vão do transcendental a questões sociais, tudo pela visão de um músico que encontrou a paz, a cura, como gosta de dizer, mas que não parece menos inquieto por isso. Ao fim do samba-rock “Valeu Guerreiro”, que fecha “Corpos Celestes”, parece que o ouvinte acabou de acompanhar uma história dividida e misturada em onze capítulos.

Rafael Braz

Crítico de séries e cinema, Rafael Braz é jornalista de A Gazeta desde 2008. Além disso, é colunista de cultura, comentarista da Rádio CBN Vitória e comanda semanalmente o quadro Em Cartaz

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