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Paulo Bonates

Um incentivo e tanto para musicar letras sobre divagações da vida

Tenho cá minhas obras, guardadas a sete chaves para não correr o risco de serem descobertas

Publicado em 15 de Abril de 2019 às 20:29

Públicado em 

15 abr 2019 às 20:29
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Arte de criar música sobre temas do cotidiano Crédito: Divulgação
Guigui Lara, pré-histórico amigo, afirma que eu sou capaz de escrever letras de música. Não coloca fé nas minhas prendas musicais, mas crê que poderia ser romântico, melancólico e confuso o suficiente para botar os apaixonados, contentes e descontentes, a se embalar nas minhas divagações sobre a arte e a vida.
Modéstia às favas, tenho cá minhas obras, guardadas a sete chaves para não correr o risco de serem descobertas. Quero esclarecer aos incautos críticos que fui compositor do Grêmio Recreativo e Cultural da Barra do Jucu. Em parceria com o Paulo Torre e as pioradas do Rubinho Gomes, o bloco desfilou pela rua do Brega com um samba de enredo em homenagem ao jornalista Amylton de Almeida. Contava a saga do escritor em uma florida viagem a Paris e suas vicissitudes.
Assim é que penso em atender à demanda do meu público, isto é, Guigui, lembrando que ele nutre uma paixão por boleros e tangos. Saber disso já me permite começar a letra exigida pelo fã. Decido pelo bolero. A primeira palavra todo mundo sabe: “Desgraçada”. Depois é falar de uma paixão perdida que levou os meus planos e enganos e não devolveu. Convém falar da falta que é muito mais forte e deliciosa que a presença. Quero recomendar pelo bem da categoria de compositores de bolero que não usem a palavra “volte”, porque isso sempre acontece mentalmente e disso não passa.
Lá em casa, em priscas eras, havia música de sobra, especialmente nas cordas: piano e violas variadas. Tenho um invejável passado entre as claves. Faço muito sucesso quando toco sozinho em frente ao espelho da sala, que toma toda a parede, que é para aumentar o ambiente. Uma das minhas pretensões como compositor é não fugir de temas do cotidiano e da vida do meu país.
Estou prestes a recepcionar o segundo neto, filho da Alice - Gael. Bonito nome não? Bento e Gael. Quem sabe nasce uma dupla de área do América, que informo, ameaça voltar a jogar no campeonato.
Vai me desculpar Guigui, mas estou tentado a dedilhar duas canções de ninar. Outro dia, em Caminito, Buenos Aires, surpreendi uma bailarina portenha no palco de um bar e – não é por estar na minha presença – mostrei à hermana o que é o tango capixaba.
Agora sim. Como iniciar a letra de um acalanto para um tango ou bolero? Ando pesquisando com a intenção de roubar por plágio o significado de algumas pérolas das primas e bordões. Em Aquarela do Brasil, ando à procura do significado de “Izoneiro”, e achar um Brasil que não seja brasileiro, como está na letra do clássico:
“Brasil, meu Brasil brasileiro”.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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