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Crônica

De pais, filhos, netos e bisnetos: um sonho que vivemos acordados

Enquanto serviam o bolo do Dia dos Pais, enchi o peito de orgulho porque sou filho de Aderson e Mariucha, neto de João e Dona Alice e Francisco e Waldebrand. Sou pai de Paula, que gerou Bento, e de Alice, que gerou Gael e Valentim

Públicado em 

10 ago 2021 às 02:00
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Família
Encontros em família no Dia dos Pais Crédito: Pixabay
Nós somos muitos, mas não sabemos voar. Domingo, tomamos o café da manhã com todos presentes, vivos ou não. Tia Cecy, proclamada filósofa familiar, apesar de não ceder a qualquer tradição, parecia estar sobrevoando o ambiente.
Não havia metáforas no seu jeito de pensar: dizia ser contra sexo antes do casamento, porque atrasa a cerimônia. Acho que a sábia e malandra jogadora de bridge estava enganando a torcida.
Enquanto serviam o bolo do Dia dos Pais, enchi o peito de orgulho porque sou filho de Aderson e Mariucha, neto de João e Dona Alice e Francisco e Waldebrand. Sou pai de Paula, que gerou Bento, e de Alice, que gerou Gael e Valentim.
Um pouco de geografia não faz mal a ninguém.
Respeitável público, as grandes metrópoles foram nomeadas a partir dos sobrenomes de famílias e mais famílias. Meu pai, Aderson, era também Brito-Inglez (uma história comprida), minha mãe era Normando da Fonseca. Eliana, Luz Vicentini, e Regina, Tápias Bergamaschi.
Já passava das dez, e a vista da Terceira Ponte, folheada por sol lúcido, encantava a singela cerimônia. Bento encarregava-se de supervisionar o ambiente e cantar as músicas, muitas com as letras alteradas à sua maneira. De repente, não mais do que de repente, adentra o gramado um sabiá à procura de migalhas.
Havia sonhado na noite anterior com uma cena das Olimpíadas. Nela, as garotas do vôlei davam uma surra nas americanas. O sonho corrigiu a tragédia. Como diz Joyce MacDougall: “Quem entre nós está à altura da criatividade de seus sonhos”.
Saímos a passear na calçada e cada um tomou um destino. Paula e Bento foram fiscalizar nesse belo domingo as ruas do Centro de Vitória, aliás para cumprir um dever da escola. Costumam fazer isso, passear pela cidade e conhecê-la ainda melhor. Afinal, o Espírito Santo também é pai.
Fui agraciado por uma obra de Vivian Chiabay, uma beleza, representando cada um de nós e outras coisitas mais.
Como em um resumo, invade minha imaginação, filhos e netos passeando e brincando na neve. Toca o telefone, essa engenhoca maluca. Alice ligando, dando notícias. Revelou que Gael é da pá-virada e deduzi que Valentin é da desvirada. Fico feliz.
Paula, pelos meus cálculos, passeia pelo Centro de Vitória contando a história da cidade para o capixaba Bento.
De agora em diante vou prestar mais atenção aos meus sonhos, especialmente os acordados.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, fez 10 anos dia desses.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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