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Paulo Bonates

A vitória de Alfred Hitchcock sobre o nazismo

Em "Interlúdio", de 1946, Ingrid Bergman e Cary Grant se apaixonam em meio a investigação de foco nazista no Rio de Janeiro

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 01:22

Públicado em 

29 jan 2019 às 01:22
Paulo Bonates

Colunista

Paulo Bonates

Cary Grant e Ingrid Bergman em "Interlúdio" Crédito: Arquivo
O ano era 1946, eu nem havia nascido. Os nazistas haviam perdido a guerra na Europa, Hitler morrido e os Estados Unidos pela primeira e única vez lançou bomba atômica em cidades. Os pracinhas – orgulho do bravo povo brasileiro – estavam de volta. Morreu gente brasileira demais nas batalhas da Itália.
Os alemães renderam-se com a mesma velocidade com que iniciaram a carnificina que produziram na Europa, na Segunda Grande Guerra. Derrotados, espalharam-se pelo mundo afora com a finalidade de criar o Quarto Reich, a reedição nazista.
A América Latina foi um dos lugares escolhidos por eles para sediar a nova tenebrosa organização. Alguns escolheram a Argentina, que aliás mantinha uma indisfarçável simpatia pelos nazistas. Alguns carrascos chegaram a trabalhar em Buenos Aires, como o psicopata doutor Josef Mengele, com nome no catálogo telefônico e tudo.
O Brasil também entrou de gaiato nessa parada sinistra. Vou lhes contar o que aconteceu no Rio de Janeiro, que sem saber acabou servindo de sede dos neonazistas. Bem disfarçados e com muito dinheiro roubado à força do povo judaico, e outras vítimas, instalaram-se em mansões bem de frente para as calçadas de Copacabana e até em casarões de luxo em Petrópolis.
Eis que o serviço secreto americano de inteligência precisava localizar tais focos. Foi aí que localizaram a filha de um nazista condenado, Alicia Huberman, e acionaram um agente para usá-la, de nome Mr. Devlin, aproveitando-se do fato de um dos fanáticos da cúpula de tais alemães no Rio ser apaixonado por ela.
Tudo ia muito bem, mas deu xabu. Devlin e Alicia, ao chegarem no Rio, apaixonaram-se. Mas em nome de sua pátria, a América cedeu a namorada para o bandido alemão Alexander Sebastian. Mas como sempre acontece, o já então marido de Alícia, Alexander, desconfiou da jogada e junto com a mãe envenenavam aos poucos a já então agente Alicia.
Queriam e precisavam matá-la, mas não podiam dar na vista. Porém, antes que ela morresse, foi salva por seu verdadeiro amor, Mr. Devlin, que até então chorava sua saudade na Praça Mauá. Viveram felizes para sempre. E o Sebastian, com suástica e tudo, voltou para o inferno de onde nunca deveria ter saído.
Tudo isso que lhes contei foi um filme dirigido por Alfred Hitchcock, que aparece em uma ponta como de costume. Alicia Huberman é, na verdade, Ingrid Bergman, e o agente norte-americano, Mr. Devlin, era, na fita, Cary Grant, com sua brilhantina irretocável. O filme de onde tirei essas mal traçadas linhas chama-se “Interlúdio”.
O ano da filmagem e exibição é 1946, e eu não havia nascido.
The End.

Paulo Bonates

É médico, psiquiatra, psicanalista, escritor, jornalista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo. E derradeiro torcedor do América do Rio.

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