Se tem algo que ficou claro para mim na esculhambação visando sujar a democracia brasileira, após a posse do Lula na Presidência do Brasil, é que a democracia não tem lá grande consistência no terceiro mundo. Só é melhor do que todas as outras formas de governo.
Como diria Pedro Maia, grande chefe de reportagem de “O Diário”, o maior jornal da Rua Sete de Setembro, em Vitória, a democracia é a arte de governar o circo a partir da jaula da hiena. Mas é algo sagrado.
Jamais haverá tamanha esculhambação, nem antes nem depois no curso da história do Brasil. Troço feio, desafinado, violento. Parecia uma manada quando se dirigiram ao ataque ao governo. E literalmente não havia ninguém lá para defender os Três Poderes.
Pois bem. Depois de amenizar a esculhambação geral e bizarra, foi a vez do legítimo legitimar-se. A democracia voltou às pressas, porque não soube defender-se. Estava sem o menor preparo, especialmente aqueles que deveriam garantir a ordem.
Passada a tempestade maior, com dispêndios e manhas, a República se reuniu inteira - isso inclui todos os Estados através dos governadores - e reinou um mínimo de paz em todo o território nacional.
Tenho cá umas dúvidas, não sobre a legitimidade, mas sobre quem vai operar onde e como no governo eleito. São 38 cabeças para exercitar o contraditório. Que Santo Agostinho os proteja.
Até parece que foi o Tite quem escalou a equipe de ministros e demais autoridades da cúpula. Quando uma das equipes ministeriais ficou atordoada com a falta de suficiente competência e apontou uma divergência conceitual, o trem parou.
- No meu governo discordar uns dos outros – define Lula - é um caminho.
O seu governo, que também é nosso, onde são postas tantas esperanças, mantém na pasta um cidadão que não sabe fazer conta de somar: 8 mais 4, igual a onze. Deu uma mostra.
O bravo povo brasileiro tem lá suas idiotices. Os eleitores não têm a menor ideia a respeito dos deveres e direitos. Os políticos fingem que falam a verdade e nós fingimos que acreditamos. Ninguém entende a língua falada nos altos escalões.
Conta a história paralela que, quando Pedro Álvares Cabral chegava ao que seria a Bahia, foi recebido com frutas, flores e danças, acolhendo com alegria e submissão os portugueses. Em troca, virou de lado as caravelas e seus canhões e mandou fogo cerrado. No fim do dia, apontou para a praia sua potente luneta e constatou que os nativos continuavam em festa, alguns irremediavelmente mortos.
Dizem que um experiente oficial de comando baixou os olhos, e com toda a tristeza do mundo balbuciou no ouvido de Pedro:
- Mestre, isso aqui não vai dar certo.
Dorian Gray, meu cão vira-lata, acha que a situação continua a mesma