No Brasil, a primeira contagem da população aconteceu em 1872, no período imperial. A partir de 1890, o Censo passou a ser realizado de dez em dez anos, na época da República. Em 1936, com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a coordenação do Censo deixou de ser do Departamento Nacional de Estatística (DNE) e passou a ser de responsabilidade da instituição então constituída com o propósito de conhecer melhor as realidades nacionais para auxiliar o planejamento e desenvolvimento do país.
Desde então, somente em 1990 e 2020 o Censo não foi realizado conforme programado. Nesses dois anos o descaso e irresponsabilidade do governo federal com a mais importante pesquisa demográfica do país foram fatores determinantes para a protelação da coleta das informações. Tal assunto foi tema de um artigo publicado nesta coluna no último dia 10 de agosto.
O Censo é a mais relevante e robusta pesquisa demográfica que favorece a produção de conhecimento sobre o território e a população brasileira, subsidiando o desenvolvimento, aprimoramento, monitoramento e avaliação de políticas públicas com base em evidências científicas. Assim, o país passa a conhecer melhor os padrões e tendências dos cerca de 215 milhões de brasileiros que se encontram distribuídos nos mais de 5.500 municípios localizados no território nacional.
Em tempos de pandemia e epidemias, por exemplo, o Censo possibilita detalhar com maior precisão os grupos de risco e a priorização para a vacinação contra doenças. Os dados censitários são essenciais para o planejamento e tomada de decisão sobre a) a construção de unidades de saúde, hospitais e escolas, b) o desenvolvimento de programas sociais e c) a definição de projetos e investimentos prioritários na área de habitação, saneamento básico, transporte, mobilidade urbana, infraestrutura, energias e outras temáticas que influenciam a vida dos brasileiros.
As informações censitárias atualizadas possibilitam, também, balizar e calibrar a distribuição de recursos financeiros para cidades e municípios, como ocorre com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Fundo de Participação dos Estados (FPE).
O Censo é um catalisador para a produção de informações e conhecimento científico sobre as realidades brasileiras nas perspectivas rural, urbana, metropolitana, regional e dos processos relacionados à transição demográfica.
Além de possibilitar a coleta de dados estratégicos para o desenvolvimento do país, essa pesquisa também representa oportunidades de trabalho e renda para mais de 200 mil profissionais que integram a equipe.
Por isso, quando o profissional do IBGE chegar em sua residência, devidamente caracterizado e identificado, “receba”! A informações censitárias possibilitam o planejamento e a construção do Brasil do futuro.