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Vida urbana

Mobilidade verde: quando sustentabilidade vira estratégia de desenvolvimento

O desafio é sistêmico. Envolve planejar cidades mais inteligentes, desenvolver corredores sustentáveis, integrar logística portuária, infraestrutura industrial e sistemas de transporte coletivo

Publicado em 28 de Janeiro de 2026 às 04:02

Públicado em 

28 jan 2026 às 04:02
Pablo Lira

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Pablo Lira

A mobilidade urbana deixou de ser apenas um problema de trânsito. Hoje, ela ocupa o centro do tabuleiro estratégico que articula sustentabilidade ambiental, planejamento urbano, política industrial, inovação tecnológica e competitividade. Nesse contexto, o Espírito Santo começa a se mover com pragmatismo ao entrar na corrida pela chamada mobilidade verde.
Descarbonizar frotas, incentivar veículos eletrificados e reduzir emissões não são mais agendas restritas ao discurso ambiental. Trata-se de decisões econômicas com impacto direto sobre atração de investimentos, geração de empregos qualificados e modernização da infraestrutura produtiva.
Estados que compreenderem essa lógica sairão na frente na disputa por cadeias industriais de maior valor agregado, como por exemplo as fábricas de veículos elétricos e híbridos. Abordamos esse assunto no artigo da semana passada nesta coluna.
O Espírito Santo tem alguns ativos importantes nesse processo. Instrumentos de crédito direcionado e incentivos bem calibrados ajudam a tornar o ambiente mais atrativo para montadoras, operadores logísticos e empresas de tecnologia ligadas à eletromobilidade. Não por acaso, iniciativas envolvendo ônibus elétricos e soluções de transporte mais limpas, como ônibus movidos a gás, já começam a ganhar espaço no território capixaba.
Mas mobilidade verde não se resume à troca do motor a combustão por baterias ou à substituição do tanque de gasolina por um cilindro de gás. O desafio é sistêmico. Envolve planejar cidades mais inteligentes e eficientes, desenvolver corredores sustentáveis, integrar logística portuária, infraestrutura industrial e sistemas de transporte coletivo, além de investir de forma contínua na formação técnica e profissional. Sem capital humano qualificado, não há transição energética para tecnologias mais sustentáveis.
Há também um componente estratégico de longo prazo. Ao alinhar políticas públicas, setor produtivo e instituições de ciência e inovação, o Estado cria um ecossistema favorável à difusão de novas tecnologias e à consolidação de um polo competitivo em nível nacional. É a lógica do desenvolvimento que combina eficiência econômica com responsabilidade ambiental.
No fim das contas, mobilidade verde é menos sobre modismo e mais sobre visão de futuro. Quando sustentabilidade deixa de ser apenas um custo regulatório e passa a ser tratada como vetor de desenvolvimento, o resultado é mais emprego, mais renda e melhor qualidade de vida. O Espírito Santo tem condições para avançar desde que mantenha estratégia, coordenação e capacidade de execução.

Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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