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Segurança pública

Homicídios no ES: mais de 1,2 mil vidas poupadas

O Espírito Santo finalizou 2023 com o menor número de homicídios dos últimos 27 anos. Foram 978 casos registrados, o menor nível contabilizado desde 1996. Entre 2022 e 2023 o Estado computou uma diminuição de 2,9% nos assassinatos

Publicado em 17 de Janeiro de 2024 às 01:40

Públicado em 

17 jan 2024 às 01:40
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira

O Espírito Santo finalizou 2023 com o menor número de homicídios dos últimos 27 anos. Foram 978 casos registrados, o menor nível contabilizado desde 1996. Entre 2022 e 2023 o ES computou uma diminuição de 2,9% nos assassinatos.
Ainda é um número elevado, porém bem inferior ao pico de 2.034 assassinatos computados em 2009, quando o estado vivia um período de baixo investimento na segurança pública e uma grave e prolongada crise do sistema prisional que ensejou denúncias em cortes internacionais de direitos humanos e um pedido de intervenção federal, devido à situação degradante dos presídios capixabas.
A intervenção federal não prosperou porque em meio a tamanha pressão, o governo estadual passou a investir na ampliação e modernização do sistema prisional. Essa ação se consolidou como uma política pública de Estado e perpassou governos.
Ao mesmo tempo, um robusto programa de segurança pública capixaba foi implementado, o Estado Presente. Assim como outros casos de sucesso espalhados pelo mundo, o Estado Presente conta com o envolvimento direto da alta gestão na sua estrutura de governança. O governador lidera o planejamento e processo decisório integrando a expertise e esforços do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Secretarias Estaduais, forças de segurança, municípios e Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).
As ações do programa são organizadas em eixos de repressão qualificada e prevenção à criminalidade violenta, com foco na proteção do grupo de risco dos homicídios (jovens do sexo masculino) e nos territórios que apresentam os mais elevados registros de assassinatos.
No ES, a partir de 2011 as ações de repressão e prevenção à violência passaram a ser territorialmente articuladas, no âmbito do Estado Presente, por meio da instituição das Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs) e Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs). A integração é uma das palavras-chaves que fazem toda diferença nas ações de segurança pública e inteligência policial no século XXI.
Por mais que a estrutura de governança do programa tenha sido desmobilizada entre 2015 e 2018, o Estado Presente deixou importantes legados para a segurança pública capixaba, como por exemplo o funcionamento das RISPs e AISPs. Esses legados foram relevantes para o estado manter a tendência de diminuição dos assassinatos, até mesmo depois da mais grave crise da segurança capixaba que ocorreu em fevereiro de 2017.
Prisão de suspeito de homicídios em São Mateus
Prisão de suspeito de homicídios em São Mateus Crédito: Reprodução
O diferencial do programa Estado Presente, que foi plenamente retomado em 2019, reside no fato desse não se colocar como uma solução mágica da segurança pública. É uma política de segurança pública baseada em evidências científicas que combina mecanismos, sistemas e métodos transparentes de governança, gestão, monitoramento e avaliação. Por isso é referendado como um programa exitoso por organizações internacionais como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Instituto Sou da Paz e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
De acordo com um estudo do Ipea, coordenado pelo professor Dr. Daniel Cerqueira, sem a política de saneamento do sistema prisional e a implementação do programa Estado Presente, o número de assassinatos no Espírito Santo não somente teria diminuído 10,2%, mas teria crescido 29% entre 2010 e 2014. Em outras palavras, naquele período foram poupadas 1.711 vidas.
Antes da retomada do Estado Presente, no período de 2015 e 2018 a média de assassinatos no território capixaba era de 1.273 casos. Em um exercício matemático simples, se considerarmos essa média mantida nos últimos cinco anos em um cenário contrafactual, a partir das estatísticas oficiais constata-se que entre 2019 e 2023 foram poupadas 1.224 vidas no Espírito Santo com a contribuição das estratégias de repressão qualificada e prevenção dos homicídios.
Nesse sentido, é perceptível o quanto o Estado vem, com muito esforço e mobilização, consolidando uma tendência de redução dos homicídios, o que favorece o fortalecimento da segurança cidadã e a construção de uma cultura de paz.

Pablo Lira

Pos-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve as quartas

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