O mundo está em constante transformação. No campo teórico, para compreender parcialmente as transformações da coetaneidade, podemos tomar como referência o pensamento de Joseph Schumpeter, que ampliou os estudos sobre as crises cíclicas do capitalismo lançando luz sobre os ciclos de inovação.
A partir da perspectiva schumpeteriana, depreende-se que no atual estágio de desenvolvimento da humanidade os padrões de inovações predominantes são representados pelas redes digitais, pela biotecnologia, pela física quântica, pelos avanços no âmbito microinformática e pelo advento das Tecnologias da Informação e Comunicações (TICs). Com a difusão desses padrões pelo mundo, é comum ouvirmos que estamos vivendo a “era da tecnologia” nessa primeira metade do século XXI.
Ao mesmo tempo que constatamos a difusão desses padrões, o processo de urbanização alcançou escala planetária, corroborando em certa medida os postulados de Henri Lefebvre sobre a sociedade urbana. Lefebvre foi um dos maiores pensadores da geografia urbana, urbanismo e áreas correlatas, que ainda em 1970 estudou as diferentes fases, transformações e tipologias urbanas, tais como cidade política, cidade comercial e cidade industrial.
Com os desdobramentos da revolução industrial e de seu modo de concentração populacional no espaço urbano, o percentual de pessoas que residiam em cidades no mundo saltou de 1,7% no ano de 1800 para 13% em 1900. Em 2015, mais de 55% da população mundial residia em áreas urbanas. Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que em 2050 mais de 65% da população mundial será urbana, ou seja, aproximadamente 6 bilhões de pessoas estarão vivendo em cidades.
Na “era da tecnologia” torna-se essencial potencializar o modo de vida urbana a partir dos padrões de inovações aqui mencionados. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o conceito de “cidades inteligentes” (smart cities) demonstra ser um caminho que possibilita maior aproximação da sustentabilidade. Essa tipologia urbana potencializa a utilização de TICs e outros mecanismos informacionais para melhorar a qualidade de vida, a eficiência e eficácia dos serviços urbanos, garantindo as condições necessárias para o desenvolvimento mais equilibrado das presentes e futuras gerações, sobretudo, no que tange os aspectos sociais, ambientais e econômicos.
Nessa lógica, uma “cidade inteligente” deve primar pela sustentabilidade, inclusão, transparência, geração de riqueza, cidadania e democracia. Para isso, essas cidades salientam como componentes tecnológicos principais a infraestrutura de conectividade, sensores e dispositivos conectados, centros integrados de operação e controle e interfaces de comunicação.