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Modernidade

Era da tecnologia é essencial para potencializar modo de vida urbano

Uma "cidade inteligente" deve primar pela sustentabilidade, inclusão, transparência, geração de riqueza, cidadania e democracia

Publicado em 02 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

02 out 2019 às 05:00
Pablo Lira

Colunista

Pablo Lira Pablo Lira
Cidades inteligentes e integradas por meio da tecnologia Crédito: Divulgação

O mundo está em constante transformação. No campo teórico, para compreender parcialmente as transformações da coetaneidade, podemos tomar como referência o pensamento de Joseph Schumpeter, que ampliou os estudos sobre as crises cíclicas do capitalismo lançando luz sobre os ciclos de inovação.

A partir da perspectiva schumpeteriana, depreende-se que no atual estágio de desenvolvimento da humanidade os padrões de inovações predominantes são representados pelas redes digitais, pela biotecnologia, pela física quântica, pelos avanços no âmbito microinformática e pelo advento das Tecnologias da Informação e Comunicações (TICs). Com a difusão desses padrões pelo mundo, é comum ouvirmos que estamos vivendo a “era da tecnologia” nessa primeira metade do século XXI.

Ao mesmo tempo que constatamos a difusão desses padrões, o processo de urbanização alcançou escala planetária, corroborando em certa medida os postulados de Henri Lefebvre sobre a sociedade urbana. Lefebvre foi um dos maiores pensadores da geografia urbana, urbanismo e áreas correlatas, que ainda em 1970 estudou as diferentes fases, transformações e tipologias urbanas, tais como cidade política, cidade comercial e cidade industrial.

Com os desdobramentos da revolução industrial e de seu modo de concentração populacional no espaço urbano, o percentual de pessoas que residiam em cidades no mundo saltou de 1,7% no ano de 1800 para 13% em 1900. Em 2015, mais de 55% da população mundial residia em áreas urbanas. Estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que em 2050 mais de 65% da população mundial será urbana, ou seja, aproximadamente 6 bilhões de pessoas estarão vivendo em cidades.

Na “era da tecnologia” torna-se essencial potencializar o modo de vida urbana a partir dos padrões de inovações aqui mencionados. Segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o conceito de “cidades inteligentes” (smart cities) demonstra ser um caminho que possibilita maior aproximação da sustentabilidade. Essa tipologia urbana potencializa a utilização de TICs e outros mecanismos informacionais para melhorar a qualidade de vida, a eficiência e eficácia dos serviços urbanos, garantindo as condições necessárias para o desenvolvimento mais equilibrado das presentes e futuras gerações, sobretudo, no que tange os aspectos sociais, ambientais e econômicos.

Nessa lógica, uma “cidade inteligente” deve primar pela sustentabilidade, inclusão, transparência, geração de riqueza, cidadania e democracia. Para isso, essas cidades salientam como componentes tecnológicos principais a infraestrutura de conectividade, sensores e dispositivos conectados, centros integrados de operação e controle e interfaces de comunicação.

Pablo Lira

Pablo Lira Pablo Lira

Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

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