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Economia

Entenda o fator político da inflação brasileira

No Brasil, o câmbio ganha uma dimensão muito significativa, principalmente pelo seu potencial de disseminação de impactos em praticamente todas as cadeias produtivas, chegando rapidamente ao bolso dos cidadãos

Públicado em 

16 out 2021 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

Dólar subiu e ações da Petrobras despencaram
O exemplo mais oportuno é o dos combustíveis e do gás, cujos preços estão atrelados ao preços internacionais, mas também ao preço do dólar Crédito: Shutterstock
É inegável que a inflação brasileira carrega traços de aumentos de preços que acontecem de forma generalizada e que ganha escala global. Aliás, um fenômeno que acontece em países da Europa, da Ásia, da América do Sul e também nos Estados Unidos. Porém, não devemos perder de vista que, no caso específico do Brasil, adiciona-se a fatores externos o clima crescentemente instável observado no campo da política, que se reflete sobretudo no câmbio.
Observada num contesto global, a inflação ganha particularidade quando analisada e avaliada nas suas origens causais. Geralmente explicada por choques que podem acontecer do lado da oferta, também denominada de inflação por escassez de oferta; ou do lado da demanda, quando esta se posta acima da capacidade de resposta do sistema produtivo.
Mas vamos encontrar também situações nas quais os preços de bens e serviços são pressionados pelo lado dos custos de produzi-los. E é aqui que entra especificamente, por exemplo, a taxa de câmbio, um preço básico que no Brasil sempre se mostrou muito sensível ao que acontece na política.
Uma explicação plausível para a atual inflação global pode ser encontrada no desarranjo geral causado pela Covid-19, que acabou gerando uma situação de descompasso temporal entre oferta e demanda. Ou seja, a velocidade da queda geral da demanda que aconteceu na primeira metade de 2020, acompanhada de deflação, ou seja, de queda geral de preços, e a sua retomada rápida, na sequência, ajudada sobretudo por políticas fiscais e compensações de perdas de renda, não encontrou – e ainda não encontra - contrapartida de resposta na mesma velocidade do lado da oferta. E é esse descompasso que está pressionando os preços atualmente.
Mas, no caso do Brasil, além dos efeitos desse descompasso, que também acontece internamente, o câmbio ganha uma dimensão muito significativa, principalmente pelo seu potencial de disseminação de impactos em praticamente todas as cadeias produtivas e chegando rapidamente ao bolso dos cidadãos. O exemplo mais oportuno é o dos combustíveis e do gás, cujos preços estão atrelados ao preços internacionais, mas também ao preço do dólar.
Se de um lado somos tomadores de preços internacionais, o que significa que não temos como influenciá-los, de outro, no entanto, quanto ao preço do dólar, fatores internos ganham peso, com predominância daqueles com potencial de influenciar o ambiente político e institucional. Ou seja, o dólar está nas alturas em grande medida em razão de instabilidades intermitentes e crescentes que acontecem no campo da política. E nessas circunstâncias, para o mundo, o Brasil está se tornando menos atrativo para o investidor externo.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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