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Economia

A importância da logística para o Espírito Santo

Há deficiências na infraestrutura, tanto portuária, no sentido de atendimento de diversidade maior de cargas, quanto de rodovias e ferrovias de integração regional e nacional

Publicado em 29 de Julho de 2023 às 00:35

Públicado em 

29 jul 2023 às 00:35
Orlando Caliman

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Orlando Caliman

José de Melo Carvalho Muniz Freire, mais conhecido por Muniz Freire, governador do Espírito Santo por dois mandatos, de 1892 a 1896 e 1900 a 1904, sem dúvida, foi o político capixaba que mais compreendeu e enfatizou a dimensão da infraestrutura e da respectiva logística como fator basilar no desenvolvimento do Estado.
Decorre dessa sua percepção estratégica o fato de ter priorizado a construção de portos e ferrovias em seus dois mandatos como governante. Na sua avaliação, o desenvolvimento da economia do Espírito Santo, em perspectivas de longo prazo, passaria necessariamente pela sua integração e inserção às economias nacional e internacional. Seria a forma de tirar o Estado do isolacionismo e da pequenez do seu mercado interno. Muniz Freire antevia como vocação do Espírito Santo o comércio.
Se fixarmos nossos olhares para o presente momento, vamos perceber que o Espírito Santo de fato se transformou num verdadeiro “hub” comercial, de conexões múltiplas e diversificadas. Isso mesmo que admitamos deficiências na infraestrutura, tanto portuária, no sentido de atendimento de diversidade maior de cargas, quanto de rodovias e ferrovias de integração regional e nacional. Ou seja, continuamos com nossa velha agenda em relação questões relacionadas à macrologística: BR 101, BR 262 e ferrovias.
Números mais recentes do comercio interestadual nos mostram um extraordinário incremento no fluxo comercial em relação aos demais estados. Em 2022, por exemplo, segundo dados divulgados pelo Confaz – Conselho Nacional de Política Fazendária, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, a soma de entradas e saídas do território capixaba atingiu o montante de R$ 767 bilhões. Movimentação que gerou um saldo comercial interestadual de R$ 108 bilhões.
Impressiona também a evolução desses fluxos para dentro e para fora do Espírito Santo. Entre 2017 e 2022 cresceu cerca de 265%, em termos nominais, e 90% somente entre 2021 e 2022. Nesse mesmo período, o PIB nominal, ou seja, a preços correntes, cresceu apenas 57%. Em termos absolutos o total do fluxo correspondeu a 4,3 vezes o PIB.
Obras de duplicação da BR 262 - Obras na rodovia começaram pelo trecho entre o km 49 e o km 56
Obras na BR 262  Crédito: Divulgação/Dnit
Na condição de “hub” comercial é importante sabermos para onde estamos mandando mercadorias e de onde estamos recebendo. Ressaltando que boa parte das mercadorias que estamos recebendo são redirecionadas para fora do Estado, se transformam em saídas. Apenas cinco estados respondem por 80% das saídas: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina. Já em relação às importações: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Tomando como base o ano de 2022, tanto em relação às saídas, quanto às entradas, esses cinco estados respondem por 80% do total das transações.
O que nos revelam esses números? Primeiro, que temos uma especificidade, revelada pelo superávit comercial significativo, que levanta preocupações em relação à reforma tributária. Segundo, de que cresce nossa dependência, e necessidade de solução, em relação à velha agenda da logística.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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