A cidade de Curitiba é reconhecida internacionalmente como uma das principais referências do planejamento urbano, sobretudo por seu eficiente modelo de transporte coletivo que direcionou seu crescimento.
O Plano Diretor de Desenvolvimento de Curitiba (1965) foi coordenado pelo arquiteto urbanista Jorge Wilheim. O plano foi integralmente implantado e o sistema de transporte fortemente marcado pela hierarquização viária, com rodovias de acesso, vias rápidas estruturais, vias coletoras, vias de ligação entre bairros e parques, além de alamedas para circulação de pedestres.
O plano também levou à criação de um órgão responsável por coordenar e implantar projetos urbanísticos, nascendo então o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC.
Em 1974 uma ideia se destacou em Curitiba: a criação de um sistema de transporte coletivo rápido sobre pneus que ficou posteriormente conhecido como Bus Rapid Transit (BRT). O arquiteto urbanista Jaime Lerner consolidou a ideia de um modelo de transporte coletivo diretamente associado ao sistema viário. Eleito prefeito da cidade por três gestões e muito querido pelos curitibanos, Jaime Lerner teve papel fundamental para importantes ações relacionadas ao transporte coletivo.
A principal foi a efetiva implantação do Sistema Trinário de Transporte que consiste em um modelo composto por três tipos de vias paralelas: uma central (exclusiva ao transporte coletivo por ônibus) e duas ao lado da central em sentidos opostos com velocidade reduzida para acesso as quadras.
Posso testemunhar que Jaime Lerner acertou em cheio porque o objetivo do sistema foi alcançado ao garantir uma eficiente integração dos serviços urbanos, aproximando a casa do trabalho, dos equipamentos urbanos e sociais, do comércio, dos serviços e do lazer, e é isso que realmente acontece de forma ágil e eficiente.
A ideia dos corredores exclusivos já havia sido implantada em outras cidades anteriormente a Curitiba, como Liége (Bélgica/1968) e Runcorn (Reino Unido/1971), mas foi a partir de Curitiba que a ideia se tornou inovadora. Além das duas vias (canaletas) ao lado da via central destinadas a outros modos de transporte, o sistema conta com enormes ônibus biarticulados expressos e linhas alimentadoras, dando origem à Rede Integrada de Transporte para que os ônibus possam operar o transporte de massa dispensando-se um sistema sobre trilhos.
Esse modelo idealizado por Jaime Lerner tem como principais características vias segregadas exclusivas para ônibus, estações tubulares que protegem do frio, da chuva, do sol e que permitem o acesso dos passageiros no nível dos ônibus, integração entre linhas troncais e alimentadoras, além de cobrança tarifária antes do embarque.
Ainda cada estação tubular conta com informações online em grandes telas sobre os horários dos coletivos. Em 10/04/2012, foi também inaugurado o Centro de Controle Operacional (CCO) que reúne técnicos, fiscais, agentes e operadores do transporte coletivo e do trânsito que acompanham o que acontece nos ônibus e nas ruas, formando um núcleo de comando online com comunicação direta com os motoristas dos ônibus.
Curitiba realmente é uma cidade que se mantém na vanguarda urbana. Apenas para exemplificar, além do transporte público que é referência internacional, a capital paranaense apresenta o menor índice de analfabetismo e a melhor qualidade na educação básica entre as capitais brasileiras. Ela acabou de ser citada pela revista Forbes como a 3º cidade mais sagaz do mundo. A limpeza pública é impecável, por isso é considerada como uma das cidades mais limpas do planeta.
Fico aqui pensando por que Curitiba, com 2 milhões de habitantes, avançou tanto enquanto outras cidades não. Para mim está claro que um dos grandes motivos foi a sucessão de várias boas gestões municipais que, com responsabilidade, garantiram a continuidade dos projetos estruturantes e políticas públicas.
A evolução da capital paranaense ocorreu sem interrupção, mesmo no cenário de mudanças governamentais. Foram sábios e não sofreram com a infeliz estratégia de desqualificar o que foi desenvolvido pela gestão anterior, atendendo a real demanda da sociedade.