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Setor em alta

ES Construção movimenta R$ 800 milhões e projeta uso de IA para os próximos anos

Feira em Carapina reuniu 15 mil visitantes e antecipa tendências para a edição do próximo ano, como inteligência artificial e obras mais tecnológicas

Publicado em 10 de Julho de 2026 às 19:27

Públicado em 

10 jul 2026 às 19:27
Karine Nobre

Colunista

Karine Nobre Karine Nobre
ES Construção 2026
Terceira edição da ES Construção reuniu mais de 15 mil pessoas Divulgação

A terceira edição da ES Construção chegou ao fim nesta sexta-feira (10) com uma projeção de R$ 800 milhões em negócios gerados durante os três dias de evento e nas prospecções para os próximos 12 meses. Realizada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), a feira, que aconteceu no Pavilhão de Carapina, Serra, registrou um público estimado de 15 mil pessoas e a comercialização de cerca de 80 casas modulares até o fechamento da coluna.


A organização já iniciou os preparativos para o evento do próximo ano. De acordo com o presidente do Sinduscon-ES, Douglas Vaz, a entidade promoverá uma reunião com os participantes desta edição para realizar um balanço estruturado e projetar o tema e as atrações do próximo ano.

ES Construção 2026
Douglas Vaz: "A IA deve figurar como um dos eixos centrais em 2027" Divulgação

Segundo o executivo, a Inteligência Artificial (IA) deve figurar como um dos eixos centrais em 2027, acompanhada pelo debate sobre construções mais limpas, mais tecnológicas e de rápida execução, a exemplo do modelo modular. O objetivo estratégico é apresentar soluções para mitigar o cenário de escassez de mão de obra nos canteiros de obras.


O desempenho comercial reflete o momento do mercado imobiliário da Grande Vitória, que encerrou o período anterior com 18.969 unidades habitacionais em produção por 75 construtoras e incorporadoras. A feira reuniu 150 expositores voltados às demandas de inovação e processos sustentáveis na cadeia produtiva capixaba, que emprega mais de 130 mil trabalhadores.

Casas modulares

ES Construção 2026
As casas modulares estiveram em alta na dição deste ano
Divulgação

O segmento de arquitetura modular e estruturas pré-fabricadas despontou como um dos principais motores de negócios da feira. Unidades voltadas tanto para habitação urbana quanto para o mercado de locação por temporada registraram forte procura de investidores e compradores.


“No ano passado, fizemos a casa modular em três dias. Este ano, resolvemos fazer uma casa de 250 metros quadrados em 15 dias, com três quartos, sala, escritório, academia, área gourmet e piscina. Assim, as pessoas podem entender que dá para fazer uma casa dessa escala utilizando arquitetura modular, que é sustentável, prática de construir e oferece benefícios como conforto térmico e acústico”, conta Wanderson Simonassi, diretor executivo da Simonassi Empreendimentos, empresa integrante do grupo bioModular.


O uso dessas estruturas como ativos geradores de renda também impulsionou os resultados comerciais. Segundo Osório Caetano, proprietário da Khronos Metal, empresa especializada no comércio de módulos habitacionais, o perfil do comprador capixaba está associado ao investimento em imóveis para aluguel de temporada.


“A maioria dos interessados nas nossas casas modulares é de pessoas que têm um sítio e querem rentabilizar a propriedade, eles compram o módulo e disponibilizam no Airbnb. Aqui no Espírito Santo tem bastante procura por essas unidades, principalmente na região Serrana, como em Santa Teresa e Domingos Martins, por exemplo”, explica.

Novas tecnologias

ES Construção 2026
Casa feita em painés de EPS foi uma das atrações da feira Divulgação

A busca por ganho de produtividade, redução do tempo de canteiro de obras e atração de mão de obra qualificada direcionou as discussões tecnológicas. Entre as inovações expostas, destacaram-se soluções baseadas em sistemas construtivos alternativos ao método tradicional de alvenaria. Igor Pereira Rodrigues, gestor geral na Monolev, empresa que apresentou painéis monolíticos de poliestireno expandido (EPS), analisou o atual cenário técnico do mercado.


“A construção civil tem buscado, cada vez mais, tecnologias e sistemas inovadores que trazem mais praticidade, até para converter mais e trazer a mão de obra para dentro do cenário de inovação. Os painéis monolíticos entram no mercado como uma tecnologia que traz leveza, praticidade e que, ao mesmo tempo que encanta a mão de obra, também encanta o cliente final, que vai ter uma obra mais leve, que oferece conforto térmico e acústico, e que é rápida”, conta.

Arena MRV

Arena MRV
Arena MRV: novas tecnologias e insumos para o dia a dia da construção Divulgação

O intercâmbio de soluções de engenharia utilizadas em projetos de grande escala nacional também compôs a agenda técnica da ES Construção 2026, evidenciando como soluções testadas em grandes estádios do país podem ser usadas nas obras do dia a dia no Espírito Santo. Rinaldo Guilherme da Silva, engenheiro civil atuante no projeto estrutural da Arena MRV, ressaltou o papel das feiras setoriais para a validação de novos insumos.


“A gente tem de levar as novas soluções que temos para o mercado, como este material que usamos há pouco tempo e conseguimos validar para emplacar em uma obra tão grande e de tanta significância. É por isso que eu acho esse tipo de feira muito importante, para conhecermos essas soluções e conseguirmos difundi-las cada vez mais e ampliá-las em outras utilizações”, diz.

Micro e pequenas empresas

Ddiretor geral da Aderes, Alberto Farias Gavini
Diretor geral da Aderes: "Apoio a micro e pequenas empresas" Divulgação

Outro destaque da ES Construção 2026 foi a participação consolidada de micro e pequenas empresas apoiadas pela Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes). Segundo o diretor geral da agência, Alberto Farias Gavini, este é o terceiro ano em que participam com os estandes, mostrando a importância do micro e pequeno negócio para o setor da construção.


“Participamos da ES Construção desde a primeira edição e sabemos da importância de estarem em feiras de negócios, pois isso ajuda a aperfeiçoar a cadeia produtiva da construção, que necessita de serviços, insumos e produtos do micro e pequeno empresário. Temos uma política pública muito forte na Aderes de fomento a esses empresários e buscamos como resultado proporcionar mais vendas, ajudar a prospectar mais clientes e melhorar a organização gerencial dessas empresas”, afirma.


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Karine Nobre

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A jornalista Karine Nobre traz, semanalmente, análises do mercado automotivo, especulações e novidades do que acontece no setor, no Espírito Santo, Brasil e no mundo.

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