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Cotidiano

Nossas vidas, nossas lutas

Mulheres com deficiência ainda são minoria em relação aos homens com deficiência em atividades laborais e salários, e frequentemente são vistas na sua condição de deficiência, quase sempre dissociadas da condição de mulher

Publicado em 09 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 mar 2021 às 02:00
Mariana Reis

Colunista

Mariana Reis

Mulheres conversando
Praticar a sororidade com as mulheres com deficiência é um pedido que faço para todos que me leem. Crédito: Freepik
Enquanto escrevo, penso em todas as mulheres que atravessaram o último ano tendo a palavra exausta como companhia. No quanto cada lar se transformou em uma corda bamba e frágil onde as mulheres tiveram que equilibrar ao mesmo tempo o trabalho remunerado, doméstico e parental.
O 8 de março ainda reflete as discrepâncias que as mulheres enfrentam. É uma longa caminhada para a total compreensão do verdadeiro significado desta data que, a meu ver, só existe porque temos um grande problema para dar conta. É fato que evoluímos e vemos sensatez em quem marca essa data para alertar sobre tudo aquilo que ainda falta conquistarmos. Mas ainda vemos gente deslocada da realidade desejando parabéns e oferecendo flores. Então pega uma cadeira e senta aqui do meu lado.
A pandemia é cruel em diversos níveis. E o ponto que trago hoje dialoga com o Dia Internacional da Mulher. Quando o assunto é mercado de trabalho, as mulheres sofreram o maior impacto durante a pandemia da Covid-19. No terceiro trimestre de 2020, a taxa de desocupação das mulheres era de 16,8%, segundo dados da Pnad Contínua Trimestral, do IBGE. Já a taxa de desocupação dos homens era de 12,8% no mesmo período.
A crise sanitária desmantelou a rede de apoio dessas mulheres. Com creches e escolas fechadas, com o isolamento, sem ter avós e tias por perto, a vida produtiva dessas mulheres ficou contra a parede construída pelo novo coronavírus.

E quando o assunto são mulheres com deficiência?

As mulheres com deficiência no Brasil representam 26,5% da população, ou seja: 26 milhões. Nós mulheres com deficiência ainda somos minoria em relação aos homens com deficiência em atividades laborais e salários, e frequentemente somos vistas em nossa condição de deficiência, quase sempre dissociadas da nossa condição de mulher. É como se a deficiência se sobrepusesse ao gênero, como se o “ser mulher” entrasse como pormenor no nosso “corpo diferente”. Portanto praticar a sororidade com as mulheres com deficiência é um pedido que faço para todos que me leem.
Apesar desses números mostrarem que não viramos o jogo em relação à equiparação de oportunidades, outros números me vem à mente. E à frente deles estão mulheres incríveis que foram e são responsáveis por mudanças significativas em nossa sociedade. Trago três exemplos de mulheres que estão sendo de imensa importância para o cenário atual.
Ethel Maciel é destaque nas pesquisas e enfrentamento da covid-19 no ES
Enfermeira, doutora em epidemiologia (UERJ), pós-doutora em epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora titular da UFES.
Margareth Dalcolmo
Pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), está na linha de frente das pesquisas sobre o coronavírus e da vacina.
Carolina Ignarra, sócia-fundadora da consultoria Talento Incluir
Minha parceira de rodinhas, responsável pelo direcionamento de pessoas com deficiência ao mercado de trabalho há 13 anos. E que durante a pandemia se viu diante de um grande desafio: a crise econômica que fechou muitas empresas ou reduziu drasticamente a quantidade de vagas, principalmente as vagas destinadas aos profissionais com deficiência.
Que elas e todas as outras mulheres que lutam não apenas pela sobrevivência, mas pelo direito a uma vida plena, onde inclusão e respeito sejam mais que palavras, encontrem forças diárias para continuar mostrando o quanto nossa existência é fundamental. Porque cada uma de nós vive uma batalha particular todos os dias.

Mariana Reis

Mariana Reis é mestranda em Sociologia Política, Administradora , TEDex, Colunista e Personal Trainer

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