No final dos anos sessenta, o Banco Nacional buscou, na imagem de um guarda-chuva, traduzir-se como protetor de sua clientela contra os maus tempos do mercado. Foi um retumbante sucesso. Até sair de cena continuou sendo o “banco do guarda-chuva”.
Mas os saldos da vida às vezes nos deixam no vermelho. Vejam só o gol contra que o banco campeão, até então invicto, amargou logo no começo da partida. Foi assim. Uma nova peça publicitária do Nacional tomou conta dos tabuleiros de outdoors, numa despretensiosa manhã, na Cidade Maravilhosa: “O Nacional tem um guarda-chuva do tamanho do seu negócio”. O letreiro gigante deu ruim. Mas o espírito gozador do carioca fez a festa. Antes do anoitecer não havia nem mais um cartaz colado nas ruas pra contar a história.
A propaganda tem por objetivo maximizar vendas, seja de produtos, seja de ideias, buscando sempre a abordagem mais adequada a cada situação. Assim é que ela pode ser estritamente objetiva, maliciosamente sensual ou até mesmo envolta em mistérios.
A TV Vitória, ainda sob a tutela dos Diários Associados, era a única emissora de televisão da capital. Seus intervalos comerciais, certa vez, ganharam uma campanha massiva, bem num comecinho de dezembro. Um locutor de voz grave (Olívio Cabral?) repetia o que o vídeo estampava: “Nozmobla taneda tsecrepus”. E o áudio arrematava: “O que será?”.
Matar essa charada hoje em dia é tão difícil como foi naquela oportunidade. Mas basta ler a frase de trás pra frente para descobrir a oportuna sugestão de compra para as festas daquele fim de ano: “Supercesta de Natal Bomzon”. Um achado do supermercado Bomzon , recém-inaugurado. Lateuq? Quer dizer, que tal?
Uma outra instituição financeira, esta bem mais chegada aos capixabas, provocou o mercado sensualizando num comercial exibido em todos os cinemas da Grande Vitória. O table-top podia ser visto sempre antes do filme começar. Simples e objetivo: três slides que se sucediam ilustrando um texto. No primeiro slide, um letreiro: “Elas estão dando mais do que você pensa!!”. Na imagem seguinte, um cara com um sorrisão safado, correndo, gravata voando por cima do ombro. E no último slide, o letreiro esclarecedor: “Letras de Câmbio Codes-cred”. Há quarenta anos, um cinema lotado gargalhava até aparecer o leão da Metro. Fez muito sucesso entre a rapaziada, claro. À época, o politicamente correto ainda não era creditado na conta de nenhum correntista.
Para ser eficiente, a propaganda deve sempre falar a verdade. Um ensinamento que passou ao largo de Katrina, uma garota de programa que se anuncia num desses blogs de encontros sexuais. Olha ela: “carioca safadinha, um verdadeiro terremoto na cama. Tenho seios fartos, bumbum GG , dona dos mais doces gemidos. Faço o diabo a dois, a três e a quatro. Discretíssima.”
Fala sério, dona Katrina. Dis-cre-tís-si-ma?! Jura?