Em 4 de outubro, 109 mulheres foram eleitas deputadas federais, e a Câmara terá, a partir de fevereiro de 2027, a maior bancada feminina de sua história. No Senado, foram 12 eleitas para as 54 vagas em disputa.
Em 2018, quando também estavam em jogo 54 vagas, foram sete. A série histórica mostra um crescimento expressivo. A Câmara elegeu 51 mulheres em 2014, 77 em 2018 e 91 em 2022. Em doze anos, a bancada feminina mais que dobrou.
A maior parte desse resultado veio de legendas situadas à direita, ao centro ou à centro-direita do espectro político. O PL elegeu 22 deputadas, o União Brasil 8, o Podemos 7, o PP 6, e MDB, Republicanos e PSD 5 cada. Novo elegeu 2, e PRD e PSDB, 1 cada. Somadas, essas legendas elegeram 62 mulheres. Sozinho, o PL elegeu o mesmo número de deputadas que PSOL, PCdoB, PSB e PV somados. O PT teve 26 eleitas.
No Senado, a diferença é de dois para um. Das 12 senadoras eleitas, oito são de partidos situados à direita, ao centro ou à centro-direita: Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Carol De Toni, Mara Rocha, Rayssa Furlan e Teresa Surita, além de Gracinha Caiado, do União Brasil, e Marina JHC, do PSDB. As quatro restantes são ligadas ao campo governista: Marília Arraes, Marília Campos, Luizianne Lins e Samanda de Lula. O Distrito Federal terá, pela primeira vez, as três cadeiras do Senado ocupadas por mulheres. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, do PL, se juntam a Damares Alves, do Republicanos, eleita em 2022.
O padrão se repete nos governos estaduais. A única governadora eleita no primeiro turno foi Raquel Lyra, do PSD, reeleita em Pernambuco. Entre as candidatas que disputam o segundo turno estão Mailza Assis e Celina Leão, do Progressistas, Professora Maria do Carmo, do PL, no Amazonas, e Professora Dorinha, do União Brasil.
O resultado de 2026 sugere outra perspectiva sobre a efetiva participação feminina no poder político nacional. Representação não se produz legitimamente pela imposição de percentuais, pela multiplicação de exigências burocráticas ou pela expansão da regulação sobre a vida partidária.
Prova disso: o grupo político que mais resiste às quotas e à tutela regulatória sobre as escolhas partidárias é, também, aquele que, no momento decisivo, mais parece ter valorizado as mulheres pela forma mais elementar da democracia: o voto.