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Negócios

(In)devido processo legal do STF e insegurança jurídica: onde vamos parar?

A sensação de imprevisibilidade faz com que muitos empresários hesitem em expandir ou investir em novos projetos, resultando em um ritmo mais lento de crescimento econômico

Publicado em 25 de Setembro de 2024 às 02:00

Públicado em 

25 set 2024 às 02:00
Marcelo Mendonça

Colunista

Marcelo Mendonça

Com  colaboração de Alexandre Pezzin, estagiário do Mendonça e Machado Advogados
Em nosso último artigo, o tema foi a insegurança jurídica e o impacto negativo no ambiente de negócios no Brasil em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou as contas da empresa Starlink no Brasil como forma de aplicar sanções à rede social X, ignorando completamente a separação entre a pessoa jurídica e a figura do sócio.
Nesta semana, continuaremos a falar sobre insegurança jurídica e o impacto de decisões judiciais arbitrárias no ambiente de negócios do Brasil, pois outra decisão relevante do Supremo Tribunal Federal foi publicada no mesmo caso envolvendo Elon Musk e as empresas X e Starlink.
Desta vez, dando prosseguimento ao caso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a transferência de mais de R$ 18 milhões, que haviam sido anteriormente bloqueados nas contas das empresas X e Starlink, para a conta da União Federal, por multas advindas do descumprimento de decisões judiciais impostas às empresas.
Nesse novo passo, com objetivo de fazer valer suas decisões, o Supremo Tribunal Federal ordenou a transferência dos valores de contas bancárias de empresas privadas para as contas da União de forma sumária, pondo em xeque diversos princípios e institutos do nosso ordenamento jurídico, como o devido processo legal, ampla defesa, liberdade de expressão, personalidade jurídica das sociedades empresárias, autonomia patrimonial etc.
Decisões judiciais como a citada geram uma insegurança jurídica que afeta diretamente o ambiente de negócios do Brasil. Quando o Poder Judiciário age de maneira imprevisível ou incoerente com a legislação vigente, os investidores estrangeiros passam a enxergar o país como um mercado de alto risco.
Dessa forma, essa insegurança aumenta os custos operacionais e afasta investimentos estrangeiros, que preferem mercados onde as regras são claras, estáveis e validadas pelo Judiciário, o que prejudica a competitividade do Brasil perante o cenário global.
A sensação de imprevisibilidade faz com que muitos empresários hesitem em expandir ou investir em novos projetos, resultando em um ritmo mais lento de crescimento econômico.
No meio desta tensão jurídica, congressistas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao governo americano, pedindo a revogação dos vistos de Alexandre de Moraes e demais ministros do STF, em razão de decisões judiciais duvidosas envolvendo subsidiárias de empresas norte americanas, como a que é aqui narrada. Na carta, os parlamentares ainda se referiram ao ministro como um “ditador totalitário”.
O que antes era apenas uma “batalha” jurídica, agora passa a ser também um conflito diplomático. A insegurança jurídica aumenta ainda mais, impactando negativamente o ambiente de negócios e escancara ao mundo a face de um dos países mais complexos para se fazer negócios. Só nos resta perguntar: onde vamos parar?

Marcelo Mendonça

É advogado e busca descomplicar o Direito dos Negócios, abordando de forma direta e prática as várias faces jurídicas e estratégias voltadas às estruturações negociais

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