Você sabe quanto vale sua empresa? Você sabe diferenciar capital social, patrimônio e valor da empresa? Se sim, parabéns. Se não, você pode em algum momento cair em uma cilada! Vamos aos conceitos, sem juridiquês, como pede esta coluna.
Capital social é o valor que você coloca na empresa para iniciar as atividades. Por exemplo: um escritório de advocacia precisa de um computador, alugar uma sala, uma mesa etc., então o capital social pode ser o valor de aquisição desses bens mais a sobrevivência da empresa por um período.
O capital social também é uma proteção aos sócios, que só respondem no limite do que foi integralizado (salvo situações excepcionais), além de servir de garantia aos credores de que aquela empresa foi constituída com um capital mínimo.
Apesar de poder sofrer mudanças, o capital social é mais “fixo”, não muda no dia a dia do negócio. Mesmo uma empresa com prejuízos continua tendo capital social. Ela segue a regra física da inércia, que só se altera mediante ato voluntário dos sócios, como quando os próprios sócios colocam dinheiro para capitalizar a empresa ou quando um investidor vira sócio.
Patrimônio, por sua vez, é o resultado da soma dos ativos e passivos, bens e direitos, dívidas e obrigações. Tudo que uma empresa acumula de bens ou dívidas tem influencia em seu patrimônio. Exatamente por isso que, diferentemente do capital social, é dinâmico, muda dia a dia de acordo com as operações da empresa. Um banco, por exemplo, ao avaliar a cessão de crédito a uma empresa, vai analisar o balanço patrimonial, exatamente a fim de verificar se há capacidade de pagamento ou se está endividada.
Finalmente, o valuation da empresa é o quanto ela vale, o quanto o mercado estaria disposto a pagar por ela. Existem vários métodos comumente utilizados para isso. Um erro comum é achar que o valuation de sua empresa é o valor do seu capital social ou o seu patrimônio líquido, já que o capital é mais estático e não representa o crescimento do negócio, ao passo que o patrimônio não considera fatores relevantes como o fundo de comércio e os ativos intangíveis (como a marca).
Inúmeras são as fórmulas para cálculo do valuation, como (mas não somente):
- Patrimônio líquido, no qual se faz uma análise do balanço patrimonial contábil (não é meu método favorito, porque deixa de analisar a capacidade futura da empresa);
- Fluxo de caixa descontado, em que o valor presente leva em consideração uma projeção estimada da geração de fluxo de caixa futuro da companhia, descontado por uma taxa de risco adequada;
- Múltiplo de mercado, mais complexo, onde há uma comparação da companhia com outras empresas similares listadas em bolsa ou transações precedentes, seja via EV/Sales ou EV/EBITDA (assunto para um próximo artigo).
Vender ou comprar uma empresa sem fazer um valuation implica em grande risco de alguma das partes sair muito prejudicada. Se você quer vender ou comprar uma empresa, investir em uma startup, precisa sempre ter em mente que esses institutos dizem muito sobre o negócio e, por isso, precisam ser fielmente retratados e detalhadamente analisados.
Operações negociais precisam ser bem feitas, com bases sólidas e com base em dados e informações exatas. Viu aí, descomplicamos mais uma situação prática do dia a dia do mundo do direito e negócios.