Em artigo publicado em 31 de dezembro de 2019, afirmei que nestas últimas três décadas o dia a dia das pessoas mudou mais do que em muitos séculos. Mudanças que seguem em ritmo acelerado. Decorrem, sobretudo, do avanço da tecnologia, que vem modificando os hábitos da sociedade de forma contínua.
A mobilidade urbana não ficou de fora. As mudanças avançam num ritmo acelerado.
A indústria automotiva, diante das demandas da sociedade por vida saudável, vem direcionando sua produção para veículos menos poluentes e não poluentes. Tanto para os de passageiros como para os de transporte de cargas.
Enquanto países desenvolvidos adotam políticas urbanas de desestímulo aos veículos a combustão e metas de sua progressiva substituição pelos elétricos, o Brasil, infelizmente, se mantém defasado nessas mudanças.
Na realidade, faltam medidas de incentivo à produção e a utilização de veículos elétricos no país, além de outras mudanças voltadas para a melhoria da qualidade da vida urbana.
Todavia, apesar desse nosso atraso, os gestores das cidades brasileiras bem poderiam dar a sua contribuição, já as adequando a essas mudanças. E isso não requer grandes investimentos. É uma questão muito mais de planejamento do que de grandes gastos públicos.
Seriam medidas voltadas para facilitar e intensificar o uso dos modais não poluentes, como a construção de mais ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas – obras de pequeno porte que servem para incentivo ao uso da bicicleta e dos pequenos veículos elétricos que estão chegando rapidamente. Vemos hoje uma grande variedade desses veículos muito bem aceitos pela sociedade.
A mobilidade elétrica – eletromobilidade – requer a adequação das cidades às mudanças advindas da tecnologia. O planejamento urbano precisa estar em sintonia com essas mudanças – questões como a definição de espaços adequados para instalação de eletropostos já precisam a ser tratadas (o abastecimento elétrico é demorado).
Faz-se necessário, portanto, a adequação do sistema viário a esses novos tempos.
Hoje, estreitar algumas ruas (não essenciais ao tráfego de carros) para criar mais espaço para pedestres, bicicletas e pequenos veículos elétricos será melhor para a qualidade da vida urbana do que alargá-las. Várias cidades europeias fizeram isso com bons resultados.
Edifícios residenciais, comerciais, shoppings, prédios públicos também vão precisar se adequar a essas mudanças em prol de uma vida urbana mais saudável.
A eletromobilidade já chegou! As cidades precisam se preparar.