Se você frequenta as orlas da Grande Vitória, fatalmente já cruzou o caminho de corredores de rua. Eles estão por toda parte. O crescimento do esporte no Espírito Santo e em todo o Brasil foi tão grande que causou impactos nos mais diferentes mercados. Um deles, o fotográfico. A cada passada, um clique.
O fotógrafo Weverton Almeida, de 44 anos, exerce a profissão há mais de 20 anos. Porém, há apenas quatro anos, passou a registrar fotografias esportivas. “O que me motivou a ir para essa área foi porque comecei a praticar esporte também. Eu vi que as pessoas se sentem mais felizes praticando esporte e você tem um resultado melhor.”
Todos os dias, Weverton vai para a ciclovia, próxima à Ponte da Madalena, em Vila Velha, para fazer os seus registros. “Eu acordo às 4h30 da manhã e vou até às 8h30. Você vê as pessoas saudáveis e, mesmo que seja de manhã, as pessoas nunca estão de mau humor.”
As fotografias, em alguns casos, ultrapassam, inclusive, as barreiras do negócio. A corredora amadora e gestora de marketing Mariana Bragança, de 32 anos, conta que coleciona boas histórias e amizades.
“Você passa todos os dias, no mesmo horário pelo fotógrafo e aquilo cria uma relação super legal. Hoje conheço alguns que foram além dos cliques, são pessoas superqueridas e que considero muito.”
O "boom" da corrida de rua em números
A segunda edição do estudo “Por Dentro do Corre”, realizado pela marca de artigos esportivos Olympikus em parceria com a consultoria Box1824, indica que o Brasil ganhou mais de 2 milhões de pessoas na corrida em 2025. Agora, são mais de 15 milhões de corredores espalhados pelo país.
A pesquisa foi feita em novembro de 2025 e contou com a participação de 1.179 entrevistados, sendo 52% homens e 48% mulheres. O levantamento incluiu homens e mulheres de 20 a 60 anos, das classes A, B e C, que correm ao menos uma vez por semana.
Paralelamente ao aumento no número de corredores, as corridas, por consequência, também sofreram impactos. Com a alta demanda, o número de corridas de rua oficiais realizadas no Brasil cresceu 85% em 2025, saltando de 2.827 para 5.241 provas, segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo).
Explorando o mercado da fotografia esportiva
Os grandes centros do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, são “bombardeados” por novidades a todo instante, e a “bola da vez” foi a fotografia de corrida. O ex-corredor de rua e fotógrafo Bruno Lopes, de 44 anos, completa 20 anos no mercado fotográfico em agosto deste ano. Ele conta que deixou o Rio de Janeiro para explorar o mercado no Espírito Santo.
“Sou natural do Rio de Janeiro, onde já tinha o fotógrafo de corrida de rua. Apenas copiei a ideia, mas a motivação mesmo foi porque aqui no Espírito Santo só quem fazia fotografia de corrida de rua era a imprensa local. Repliquei o que já existia no Rio e São Paulo.”
Para os corredores capixabas foi um ganho e tanto. “Hoje temos um leque imenso de opções, olhares e estéticas. Como fotógrafa de formação, eu acho essa mudança muito legal, pois abre mais um leque para quem se identifica em fotografar esporte”, destaca Mariana Bragança.
O preço da foto de corrida de rua
Um dos principais sites utilizados pelos fotógrafos para disponibilizar os registros para os corredores é o Foco Radical. Através do site, é possível filtrar a sua região e encontrar os mais diversos eventos, separados por datas. Ao acessar um determinado evento, o corredor realiza o login e busca suas fotos por meio do reconhecimento facial.
Na sequência, as fotografias são exibidas e o corredor faz a seleção das imagens que desejar comprar. Vale destacar que, antes de colocar um item no carrinho de compras, é necessário fazer uma seleção relacionada à qualidade da foto. Sendo assim, ficam disponíveis duas opções: alta qualidade (3.450 pixels) ou baixa qualidade (1.500 pixels). Cada uma possui um valor diferente, sendo R$ 16,90 para a primeira opção e R$ 13,90 para a segunda opção. Tudo isso fica a critério daquele que irá realizar a compra.
De acordo com Weverton, as vendas variam bastante, já que alguns dias têm mais atletas treinando. “Tem dia que surpreende a gente. Às vezes, eu fotografo na segunda-feira. Acho que não vai dar nada, mas vendo 20, 30 fotos.”
Não são apenas fotos de treinos que rendem cliques para os fotógrafos. As provas, geralmente realizadas aos finais de semana, também são cruciais para os profissionais. Segundo a fotógrafa Karol Coutinho, de 31 anos, a quantidade de fotografias varia bastante de acordo com o tipo de evento, fluxo de atletas e até época do ano.
“Não existe um número fixo de vendas por dia. Mas é um trabalho com uma procura constante, principalmente nas provas de corrida.”
O crescimento da corrida de rua faz diferentes fotógrafos ampliarem os leques de atuação. Agora, os cenários vão além de montanhas, cachoeiras, sítios… Agora também estão presentes nas orlas e nos asfaltos das cidades. E os corredores precisam ficar atentos, porque os registros são feitos aos montes.
“No começo, eu comprava fotos em todos os treinos, mas agora seguro a empolgação, senão o dinheiro vai todo embora”, relata a corredora Mariana.