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Fotografia esportiva

Corrida de rua no ES: como a fotografia esportiva conquistou os atletas amadores

Segundo pesquisa, Brasil ganhou mais de 2 milhões de pessoas na corrida em 2025. Com o aumento, corredores passaram a buscar mais fotografias

Publicado em 25 de Maio de 2026 às 08:00

Públicado em 

25 mai 2026 às 08:00
Vitor Gregório

Colunista

Vitor Gregório

Fotógrafo Weverton Almeida há quatro anos passou a registrar esportes
Fotógrafo Weverton Almeida há quatro anos passou a registrar esportes Arquivo pessoal

Se você frequenta as orlas da Grande Vitória, fatalmente já cruzou o caminho de corredores de rua. Eles estão por toda parte. O crescimento do esporte no Espírito Santo e em todo o Brasil foi tão grande que causou impactos nos mais diferentes mercados. Um deles, o fotográfico. A cada passada, um clique.


O fotógrafo Weverton Almeida, de 44 anos, exerce a profissão há mais de 20 anos. Porém, há apenas quatro anos, passou a registrar fotografias esportivas. “O que me motivou a ir para essa área foi porque comecei a praticar esporte também. Eu vi que as pessoas se sentem mais felizes praticando esporte e você tem um resultado melhor.”

Foto registrada pelo fotógrafo Weverton Almeida
Foto registrada pelo fotógrafo Weverton Almeida | Arquivo pessoal

Todos os dias, Weverton vai para a ciclovia, próxima à Ponte da Madalena, em Vila Velha, para fazer os seus registros. “Eu acordo às 4h30 da manhã e vou até às 8h30. Você vê as pessoas saudáveis e, mesmo que seja de manhã, as pessoas nunca estão de mau humor.”

Corredora Mariana Bragança
Corredora Mariana Bragança | Arquivo pessoal

As fotografias, em alguns casos, ultrapassam, inclusive, as barreiras do negócio. A corredora amadora e gestora de marketing Mariana Bragança, de 32 anos, conta que coleciona boas histórias e amizades.


“Você passa todos os dias, no mesmo horário pelo fotógrafo e aquilo cria uma relação super legal. Hoje conheço alguns que foram além dos cliques, são pessoas superqueridas e que considero muito.”


O "boom" da corrida de rua em números


A segunda edição do estudo “Por Dentro do Corre”, realizado pela marca de artigos esportivos Olympikus em parceria com a consultoria Box1824, indica que o Brasil ganhou mais de 2 milhões de pessoas na corrida em 2025. Agora, são mais de 15 milhões de corredores espalhados pelo país.


A pesquisa foi feita em novembro de 2025 e contou com a participação de 1.179 entrevistados, sendo 52% homens e 48% mulheres. O levantamento incluiu homens e mulheres de 20 a 60 anos, das classes A, B e C, que correm ao menos uma vez por semana.


Paralelamente ao aumento no número de corredores, as corridas, por consequência, também sofreram impactos. Com a alta demanda, o número de corridas de rua oficiais realizadas no Brasil cresceu 85% em 2025, saltando de 2.827 para 5.241 provas, segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo).


Explorando o mercado da fotografia esportiva


Fotógrafo Bruno Lopes
Bruno Lopes decidiu explorar do ES Divulgação/Redes sociais

Os grandes centros do Brasil, como Rio de Janeiro e São Paulo, são “bombardeados” por novidades a todo instante, e a “bola da vez” foi a fotografia de corrida. O ex-corredor de rua e fotógrafo Bruno Lopes, de 44 anos, completa 20 anos no mercado fotográfico em agosto deste ano. Ele conta que deixou o Rio de Janeiro para explorar o mercado no Espírito Santo.


“Sou natural do Rio de Janeiro, onde já tinha o fotógrafo de corrida de rua. Apenas copiei a ideia, mas a motivação mesmo foi porque aqui no Espírito Santo só quem fazia fotografia de corrida de rua era a imprensa local. Repliquei o que já existia no Rio e São Paulo.”


Para os corredores capixabas foi um ganho e tanto. “Hoje temos um leque imenso de opções, olhares e estéticas. Como fotógrafa de formação, eu acho essa mudança muito legal, pois abre mais um leque para quem se identifica em fotografar esporte”, destaca Mariana Bragança.


O preço da foto de corrida de rua


Um dos principais sites utilizados pelos fotógrafos para disponibilizar os registros para os corredores é o Foco Radical. Através do site, é possível filtrar a sua região e encontrar os mais diversos eventos, separados por datas. Ao acessar um determinado evento, o corredor realiza o login e busca suas fotos por meio do reconhecimento facial.


Na sequência, as fotografias são exibidas e o corredor faz a seleção das imagens que desejar comprar. Vale destacar que, antes de colocar um item no carrinho de compras, é necessário fazer uma seleção relacionada à qualidade da foto. Sendo assim, ficam disponíveis duas opções: alta qualidade (3.450 pixels) ou baixa qualidade (1.500 pixels). Cada uma possui um valor diferente, sendo R$ 16,90 para a primeira opção e R$ 13,90 para a segunda opção. Tudo isso fica a critério daquele que irá realizar a compra.


De acordo com Weverton, as vendas variam bastante, já que alguns dias têm mais atletas treinando. “Tem dia que surpreende a gente. Às vezes, eu fotografo na segunda-feira. Acho que não vai dar nada, mas vendo 20, 30 fotos.”


Fotógrafa Karol Coutinho durante o trabalho
Fotógrafa Karol Coutinho durante o trabalho | Arquivo pessoal

Não são apenas fotos de treinos que rendem cliques para os fotógrafos. As provas, geralmente realizadas aos finais de semana, também são cruciais para os profissionais. Segundo a fotógrafa Karol Coutinho, de 31 anos, a quantidade de fotografias varia bastante de acordo com o tipo de evento, fluxo de atletas e até época do ano.


“Não existe um número fixo de vendas por dia. Mas é um trabalho com uma procura constante, principalmente nas provas de corrida.”


O crescimento da corrida de rua faz diferentes fotógrafos ampliarem os leques de atuação. Agora, os cenários vão além de montanhas, cachoeiras, sítios… Agora também estão presentes nas orlas e nos asfaltos das cidades. E os corredores precisam ficar atentos, porque os registros são feitos aos montes.


“No começo, eu comprava fotos em todos os treinos, mas agora seguro a empolgação, senão o dinheiro vai todo embora”, relata a corredora Mariana.

Vitor Gregório

Formado em Jornalismo pela Universidade Vila Velha (UVV), já foi assistente de marketing e está em A Gazeta desde 2024. Há cerca de quatro anos na corrida de rua, conhece de perto a rotina de treinos, provas, pódios, medalhas e também os desafios de quem corre.

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