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EUA dizem que acordo com Irã pode ser fechado nesta segunda com proposta 'sólida', mas Teerã nega

O acordo em discussão envolveria uma extensão do cessar-fogo de 60 dias, durante a qual o Estreito de Ormuz seria reaberto.

Publicado em 25 de Maio de 2026 às 07:32

BBC News Brasil

Publicado em 

25 mai 2026 às 07:32
Imagem BBC Brasil
"Ainda estamos trabalhando", disse Rubio durante uma visita à Índia Crédito: Reuters
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que negociadores americanos e iranianos têm "uma proposta bastante sólida sobre a mesa" e que um acordo entre os dois países poderá ser alcançado ainda nesta segunda-feira (25/5).
“Ainda estamos trabalhando”, disse Rubio durante uma visita à Índia.
A declaração de Rubio foi feita depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer que havia instruído os negociadores a “não se apressarem em fazer um acordo”.
O acordo supostamente envolve uma extensão de 60 dias do cessar-fogo, a reabertura do estreito de Ormuz e um plano para novas negociações sobre o programa nuclear do Irã.
Nesta segunda-feira, os preços do petróleo caíram fortemente e as bolsas de valores na Ásia subiram, diante de expectativas de que um acordo seja firmado.
No entanto, o Irã negou que um acordo seja iminente.
"É correto dizer que chegamos a uma conclusão sobre grande parte das questões em discussão", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, em coletiva de imprensa em Teerã nesta segunda-feira.
"Mas dizer que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente... ninguém pode fazer tal afirmação."
Baghaei disse que o Irã continuará controlando o tráfego pelo estreito de Ormuz cobrando taxas de serviço.
"Os serviços prestados — serviços de navegação, além das medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Mar de Omã — exigem a cobrança de certas taxas", disse.

Críticas de republicanos

Horas antes, o secretário de Estado dos EUA havia sugerido que os dois países estavam próximos de um acordo.
“Ainda estamos trabalhando. Como eu disse, achávamos que poderíamos ter algumas novidades ontem à noite. Talvez hoje”, disse Rubio na segunda-feira na capital indiana.
“Temos o que eu acho que é uma proposta bastante sólida em relação à capacidade [dos iranianos] de abrir o estreito”, disse ele, referindo-se ao estreito de Ormuz — por onde passam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo e que está bloqueado pelo Irã.
Mas Rubio também alertou que não se deve "tirar muitas conclusões" das negociações ainda e que "leva um pouco de tempo para se obter uma resposta do Irã".
A CBS News informou que a inteligência dos EUA acredita que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei — que foi ferido em um ataque israelense que matou seu pai e antecessor no primeiro dia da guerra — está escondido em um local não revelado, dificultando a comunicação com seus enviados e, portanto, atrasando o ritmo das negociações com os EUA.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse no fim de semana que os dois lados estavam “muito próximos e muito distantes” de chegar a um acordo.
De acordo com a imprensa dos EUA, o acordo em discussão não é um acerto final e deixa algumas das questões mais espinhosas para serem negociadas posteriormente — incluindo o escopo e o momento do alívio das sanções iranianas, a liberação de fundos iranianos congelados e as exigências de Washington para que o Irã restrinja suas ambições nucleares.
O acordo proposto dividiu os republicanos — alguns criticaram que ele seria leniente demais com o Irã.
O senador Ted Cruz disse que um acordo nesses moldes seria "um erro desastroso", enquanto Roger Wicker, que preside o Comitê de Serviços Armados do Senado, afirmou que um cessar-fogo de 60 dias significaria que "tudo o que foi alcançado pela Operação Epic Fury teria sido em vão!"
O senador Lindsey Graham, que é aliado próximo de Trump, também criticou qualquer acordo que deixe o Irã como uma força dominante na região.
“Isso nos faz pensar por que a guerra começou”, disse ele.
Trump respondeu dizendo que não “dá ouvidos a perdedores, que criticam algo sobre o qual não sabem nada”.
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será bom e adequado”, escreveu ele no Truth Social.
No entanto, mesmo na melhor das hipóteses, é improvável que os efeitos de um acordo sejam vistos imediatamente.
O setor de transporte marítimo pode precisar de meses para conseguir voltar às cadeias de suprimentos, disse Lars Jensen, executivo-chefe da empresa Vespucci Maritime.
Mesmo que um acordo entre o Irã e os EUA seja anunciado nos próximos dias, o setor ainda permaneceria "cauteloso e hesitante" em realizar quaisquer "grandes mudanças operacionais", explicou Jensen.
Os EUA e Israel lançaram ataques de grande escala contra o Irã em 28 de fevereiro, provocando conflitos em todo o Oriente Médio. O Irã respondeu atacando Israel e os aliados dos EUA no Golfo e fechou o estreito de Ormuz. A mudança fez com que os preços do petróleo subissem globalmente.
Logo após o acordo de cessar-fogo no início de abril, os EUA estabeleceram um bloqueio aos portos iranianos, que, segundo Trump, permanecerão “em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”.
No post de domingo no Truth Social, Trump reiterou que o Irã “precisa entender” que não pode desenvolver uma arma nuclear. Teerã disse em diversas ocasiões que seu programa nuclear é exclusivamente para fins pacíficos.
Alguns relatos na imprensa dos EUA sugerem que o acordo poderia prever que o Irã concorde em eventualmente entregar seu urânio altamente enriquecido.
No início da guerra, acredita-se que o Irã tinha cerca de 440 kg de urânio enriquecido com até 60% de pureza — a um pequeno passo de chegar a 90%, o que teoricamente poderia permitir a criação de uma bomba nuclear.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse à TV estatal que o país está pronto “para garantir ao mundo que não estamos atrás de uma arma nuclear”.

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