Obra paralisada, prejuízo na certa. Este foi o tema do artigo que assinei neste espaço em 2 de agosto de 2019, abordando a paralização do trecho de sete quilômetros de duplicação da BR 262 e os consequentes prejuízos para os cofres públicos.
Volto ao tema obras paradas, agora com foco no Cais das Artes, há mais de dez anos se deteriorando pela ação do tempo.
Primeiro, cabe informar que ao tomar conhecimento daquele projeto, considerei-o caríssimo, bem acima do necessário para o atendimento a sua finalidade – apesar dos méritos do autor, o renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha (falecido neste ano).
Apesar dessa visão pessoal, diante da polêmica em torno desse projeto, gostaria de compartilhar com o leitor a seguinte reflexão: 1. Foram empregados nessa obra R$ 139 milhões (valor histórico), que em valor atualizado corresponde à cerca de R$ 300 milhões, ou seja, muito dinheiro público já foi investido; 2. A demolição da obra (bem complicada), defendida por alguns, seria mais dinheiro público jogado fora, pois envolveria duas grandiosas estruturas de concreto, um gigantesco volume de entulho a ser transportado e despejado de acordo com as rigorosas exigências ambientais; 3. Quanto à concepção do projeto, embora discutível, vale dizer que, recentemente, foi o mesmo enfaticamente defendido pelo IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil, seccional do ES.
Dito isso, volto minha atenção para um dos pontos fracos de Vitória – o turismo – que até pouco tempo se ressentia da falta de um aeroporto decente e ainda carece de um centro de convenções, equipamento indispensável para a alavancagem dessa importante atividade econômica.
Assim, vejo essa obra como uma oportunidade. Tanto para atender aos objetivos culturais, como para suprir à falta de um centro de convenções na Capital.
Para tanto, bastaria adequar o projeto a uma destinação multiúso, transformando-o no “Centro Cultural de Eventos e Exposições”, para atender tanto às atividades culturais como a congressos, convenções, seminários, etc. Com um auditório de 1.300 lugares, o projeto contempla espaços suficientes tanto para a cultura como para eventos. Inclusive, a ampliação do seu uso, através de concessão, permitiria transferir para a iniciativa privada os elevados custos de operação e manutenção, livrando o orçamento estadual desse ônus.
Com um centro cultural e de eventos, o aquaviário e ampliação da Terceira Ponte, Vitória, com sua beleza e localização estratégica, poderá conquistar o espaço que merece no turismo nacional.