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Eleições 2024

Vidigal e o candidato misterioso à Prefeitura da Serra

Até recentemente, a candidatura à reeleição do prefeito era dada como certa, mas um novo nome surgiu. Anúncio vai ser feito no sábado (16). Veja a possível estratégia por trás da reviravolta

Publicado em 14 de Março de 2024 às 09:27

Públicado em 

14 mar 2024 às 09:27
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Sérgio Vidigal, Weverson Meireles e Renato Casagrande
Sérgio Vidigal, Weverson Meireles e Renato Casagrande Crédito: Divulgação
O prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), havia prometido, em 2020, ao ser eleito para o quarto mandato como chefe do Executivo municipal, que não tentaria a reeleição. Assim, "encerraria o ciclo". De lá pra cá, entretanto, deu sinais de que faria justamente o contrário, de forma que, até recentemente, dez entre dez atores políticos da Serra apostavam que Vidigal tentaria, sim, a reeleição em outubro de 2024.
O próprio prefeito, em dezembro do ano passado, afirmou, em entrevista à Rádio CBN Vitória, que "a gestão da Serra não foi feita para amadores", ou seja, sinalizou que colocaria a experiência para jogo nas urnas. Foi também uma indireta para aqueles que pedem renovação na cidade, governada há 26 anos por apenas duas pessoas: Vidigal e Audifax Barcelos (PP), alternadamente.
Nas últimas semanas, entretanto, um novo nome tem sido citado como possível substituto do prefeito na corrida: o presidente estadual do PDT e chefe de gabinete de Vidigal, Weverson Meireles, que nunca foi candidato a cargos eletivos.
No último dia 6, questionados pela coluna, Vidigal e Meireles fizeram suspense, preferiram guardar a revelação para o dia 16, quando vai ser realizada a convenção municipal do PDT.
Mas o presidente estadual do partido teria disposição para encarar o desafio? Isso, Meireles respondeu:
"Sou um soldado do PDT"
Weverson Meireles - Presidente estadual do PDT e chefe de gabinete de Vidigal
Assim, ele deixou a possibilidade no ar. 
De acordo com o que a coluna apurou nos bastidores, o governador Renato Casagrande (PSB), aliado do prefeito da Serra, já foi avisado de que Weverson Meireles vai ser anunciado, no sábado, como pré-candidato do PDT à prefeitura.
Até 1º de dezembro de 2023, Meireles era secretário de Turismo do governo Casagrande. Foi substituído por Philipe Lemos (PDT).
A mudança ocorreu a pedido de Vidigal, que disse ao governador precisar do presidente do partido atuando na Serra. Poderia ser apenas um reforço para a pré-campanha do próprio prefeito, mas há mais coisas em questão.
Quem preside o PDT municipal é a ex-deputada federal Sueli Vidigal, primeira-dama da cidade. Ela tem incensado Meireles nas redes sociais, num sinal de que o casal aposta as fichas no presidente estadual do partido.
Em eventos públicos, como o Café com Negócios, realizado pela Associação dos Empresários da Serra, ou visitas a obras realizadas pelo governo do estado, Meireles é levado a tiracolo pelo prefeito, ladeado pelo governador. Foi assim nesta quarta-feira (13).
Mas, se Vidigal considera que "a gestão da Serra não é para amadores", por que tiraria o time de campo e daria lugar a um novato?
Seria, no mínimo, contraditório. Esquecer a promessa que fez em 2020, também, mas isso já estava meio "precificado" pelo mercado político, já era esperado.
E por que arriscar? Pragmaticamente, em teoria, Vidigal tem mais força que Meireles para disputar a prefeitura. Além de controlar a máquina pública e ter o apoio do Palácio Anchieta, ele é indiscutivelmente mais conhecido pelos eleitores do que o pupilo.
O chefe de gabinete do prefeito não tem, historicamente, raízes na cidade. E o cargo que ele ocupa é relevante, mas de pouca visibilidade, não é uma secretaria que faz entregas diretas à população, como as de Obras, Serviços, Saúde e Educação.
O ponto positivo é que, apesar de ligado a Vidigal, Meireles poderia ser apresentado como alguém novo, afinal, nunca foi prefeito, nem vereador, e é jovem.
Ainda assim, construir a candidatura dele a esta altura do campeonato, a seis meses da eleição, seria desafiador.
Por que arriscar?
A família Vidigal pode ter motivos pessoais para fazê-lo. O pleito de 2024 promete ser difícil, acirrado e mais emocionante do que normalmente já é na cidade.
Audifax, ex-aliado e agora já tradicional adversário, está a postos para concorrer. Um novo desafiante apareceu, o deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos), sem falar nos candidatos que PT, PL e Novo devem lançar.
ESTRATÉGIA?
Agora, tem quem não compre esta história de jeito nenhum e aposte que, ao fim e ao cabo, ainda que Weverson Meireles seja anunciado pré-candidato no sábado, o nome do PDT a aparecer nas urnas em outubro como candidato a prefeito vai ser o de Sérgio Vidigal.
A estratégia seria lançar Meireles agora como pré-candidato a prefeito para cacifá-lo como vice e, de quebra, criar um fato político para desviar o foco. Isso atenuaria, em tese, o debate sobre a necessidade de renovação política na Serra.
Lançar uma pré-candidatura não é escrever em pedra, algo imutável. As convenções partidárias, quando as candidaturas são realmente chanceladas, ocorrem apenas a partir do final de julho (a convenção do PDT da Serra de sábado é somente para eleger o novo diretório do partido).
Logo, é possível anunciar um nome agora e mudar de ideia depois.
MAS E SE?
No caso de Meireles tornar-se, para valer, o candidato de Vidigal a prefeito da Serra, cabe lembrar que, em 2020, Audifax fez algo parecido. Na época, ele era o chefe do Executivo municipal, mas não podia tentar a reeleição, já que estava no segundo mandato consecutivo.
Audifax apoiou o vereador Fabio Duarte, da Rede, na disputa. Duarte era pouco conhecido na cidade, em comparação com o prefeito. As chances do parlamentar eram baixas contra o experiente Vidigal.
A campanha do vereador colou a imagem dele na de Audifax e conseguiu levá-lo ao segundo turno, um feito considerável. E Audifax tinha apenas o controle da máquina municipal, não contava com o apoio do governador.
Desta vez, Meireles seria o candidato do prefeito e, certamente, contaria com o endosso do Palácio Anchieta.
O diferencial deste pleito, porém, é que, após quase 27 anos administrada por apenas duas pessoas em mandatos alternados, a população da Serra pode estar mais suscetível a eleger alguém que não seja ligado nem a Vidigal nem a Audifax.
O estridente Pablo Muribeca tem atiçado essa ideia.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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