Desembargadora Janete Vargas Simões, em atuação no TRE-ESCrédito: Divulgação/TRE-ES
A eleição para definir os membros da Mesa Diretora do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) vai ser realizada em outubro, mas as movimentações, nos bastidores, começaram há meses. A coluna mostrou, em abril, que três nomes estavam no páreo pela presidência da Corte. Agora, um deles desponta como favorito.
Trata-se da desembargadora Janete Vargas Simões. De acordo com membros do Tribunal Pleno consultados pela coluna, reservadamente, a magistrada, hoje, conta com a maioria dos votos, ou intenções de voto, dos colegas e provavelmente vai superar o mais antigo desembargador em atividade, José Paulo Calmon Nogueira da Gama, que pretende se inscrever na disputa.
Já Willian Silva não deve mais concorrer à presidência do TJES e sim ao comando do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), cujo comando também vai ser decidido em outubro.
Desta vez, há uma disputa real. Uma mudança nas regras da eleição, definida pelo Tribunal em novembro do ano passado, esquentou a corrida. O voto passou a ser secreto. Os eleitores são os próprios desembargadores.
Com o voto aberto, na prática, o mais antigo membro da Corte em atividade que ainda não havia presidido a Corte era sempre eleito. Uma espécie de tradição, com rito previsto no regimento interno. Os colegas ficariam constrangidos de votar publicamente contra a ascensão do desembargador mais antigo.
Protegidos pelo sigilo, o resultado da eleição ficou menos previsível, o que é uma desvantagem, neste caso, para José Paulo Calmon Nogueira da Gama, embora desembargadores tenham dito que a alteração nas regras não foi feita especificamente para atrapalhar os planos do magistrado e sim para dar mais "liberdade" de escolha aos membros do Pleno nesta e nas próximas eleições.
O fato, entretanto, é que a sondagem da coluna aponta o favoritismo de Janete Simões Vargas. Entre os fatores que pesam a favor da desembargadora estão uma melhor relação com os colegas, em comparação a Nogueira da Gama, e a percepção de que ela tem um perfil mais adequado ao exercício da administração pública.
O Orçamento do TJES, em 2025, é de R$ 1,5 bilhão, cifra que cabe ao presidente, ou à presidente, gerir.
A PRIMEIRA
Se as apostas se confirmarem, Janete vai ser a primeira mulher a presidir do TJES, fundado em 1741.
A Corte é formada, ao todo, por 30 desembargadores, dos quais apenas seis são mulheres.
O atual presidente do Tribunal é Samuel Meira Brasil Jr., que fica no cargo até dezembro. O mandato no comando do Tribunal dura dois anos e a reeleição não é permitida.
A Mesa Diretora da Corte é composta por: presidente, vice-presidente, corregedor-geral e vice-corregedor-geral. Os ocupantes de todos esses cargos vão ser escolhidos em outubro.
QUEM É ELA
Janete Vargas Simões é vice-presidente e corregedora do TRE-ES, a primeira mulher a ocupar essas funções na Corte. Juíza da carreira, foi promovida a desembargadora, pelo critério de merecimento, em 2014.
Está entre os dez integrantes mais antigos e entre os cinco mais antigos que ainda não exerceram a presidência.
Foi presidente (2002–2004) e vice-presidente (2020–2022)da Associação dos Magistrados do Espírito Santo (Amages).
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.