Juiz do ES é investigado por liberar R$ 2,7 milhões com rapidez "incomum"
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Juiz do ES é investigado por liberar R$ 2,7 milhões com rapidez "incomum"
Maurício Camatta Rangel também foi afastado do cargo pelo TJES no âmbito do processo administrativo. Isso no mesmo dia em que o magistrado foi alvo de uma operação do MPES por outro motivo
Decisões são do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, sediado na Enseada do Suá, em VitóriaCrédito: Carlos Alberto Silva
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) decidiu, na tarde desta quinta-feira (1º), abrir dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra o juiz de Direito Maurício Camatta Rangel, da 4ª Vara Cível de Vitória. A Corte também determinou que ele fique afastado do cargo durante as investigações.
Foi a Corregedoria da Corte que pediu a instauração dos procedimentos, o que estava em julgamento desde o último dia 20 de junho. A conclusão foi adiada devido a pedidos de vista de desembargadores, ou seja, mais tempo para analisar os casos.
A principal suspeita é quanto à liberação do pagamento de R$ 2,7 milhões com rapidez "incomum", "sem qualquer cautela", em dezembro de 2023, enquanto o magistrado substituía a juíza titular da 2ª Vara Cível de Vitória.
Em relação ao que é tratado em um dos PADs, a quantia era objetivo de "disputa judicial acirrada", como destacou o corregedor-geral de Justiça, desembargador Willian Silva, ainda em 20 de junho.
No primeiro dia de atuação como substituto na 2ª Vara Cível, o juiz, entretanto, atendeu a pedido feito pela defesa de uma das partes naquela mesma data. No dia seguinte, liberou alvarás para que o dinheiro fosse sacado.
O corregedor considerou que houve "celeridade incomum", rapidez não vista em outros casos sob responsabilidade do juiz, só "em processos que foram pescados".
E a outra parte que disputava a quantia milionária foi intimada da decisão apenas "quando o dinheiro já estava na rua".
"O dinheiro foi imediatamente pulverizado, não foi encontrado em lugar nenhum, parece que foi sacado em cash", afirmou Willian Silva.
O PAD, que vai ser relatado pela desembargadora Heloisa Cariello, vai apurar se houve alguma irregularidade.
O outro PAD aberto contra Maurício Camatta nesta quinta foi proposto pela vice-corregedora, desembargadora Eliana Munhós.
Nesse processo, vai ser apurado, por exemplo, porque o juiz, também quando atuava como substituto na 2ª Vara Cível, fez até atos que eram de competência dos servidores, apenas em uma ação específica, para ela andar mais rapidamente.
O PAD também vai se debruçar sobre um áudio que o magistrado enviou a um advogado pedindo que ele retirasse a reclamação feita à Corregedoria. No áudio, Maurício Camatta admite que atuou no processo "atendendo a pedido" e "entrou de gaiato" na história.
Este Processo Administrativo Disciplinar vai ser relatado pela desembargadora Débora Maria Ambos Corrêa da Silva.
Ao final, o TJES pode concluir que o juiz não fez nada de errado e arquivar os PADs. Ou pode condená-lo a penas que variam de advertência a aposentadoria compulsória com remuneração proporcional ao tempo de serviço.
"NÃO HOUVE IRREGULARIDADE", DIZ DEFESA
Em nota enviada à coluna, a defesa do juiz Maurício Camatta Rangel afirmou que não houve qualquer irregularidade:
"Será oportunizado o contraditório, ocasião que serão produzidas as provas necessárias à demonstração de que não houve irregularidades. O magistrado colaborará para que tudo seja esclarecido", diz texto assinado pelo advogado Ludgero Liberato.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.