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Leonel Ximenes

Vasquinho, o político que era abraçado (e amado) pelo povo

Ex-prefeito de Vila Velha e de Cariacica e "Constituinte Nota 10", Vasco Alves, que morreu hoje, foi um líder popular e carismático, principalmente para os mais pobres

Publicado em 25 de Abril de 2020 às 13:03

Públicado em 

25 abr 2020 às 13:03
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Data: 28/09/2016 - ES - Vitória - Debate com os candidatos à Prefeitura de Vila Velha. Vasco Alves (PPL) - Editoria: Política - Foto: Fernando Madeira - GZ
Vasco Alves em debate com os candidatos à Prefeitura de Vila Velha, em 2016 Crédito: Fernando Madeira
Onde moro, na Prainha, tinha uma capela funerária pertencente aos vicentinos, da Igreja Católica. Nos anos 1990, durante um velório, estava eu sentado na praça em frente, conversando com Vasquinho, sobre o falecido. De repente, somos surpreendidos por um morador de rua, com sinais de avançada embriaguez, que surgiu do nada e gritou, para espanto das pessoas que se aglomeravam para velar o morto: "PQP, Vasquinho! Quem bom encontrar você!” E o ex-prefeito de Vila Velha, com um largo sorriso, aceitou aquele abraço quase sufocante do homem simples do povo. Este era Vasco Alves de Oliveira Júnior, que morreu hoje (25) e vai deixar muita saudade.
Ex-prefeito de Vila Velha (por dois mandatos) e de Cariacica, além de Constituinte Nota 10, Vasquinho era um homem de fala mansa e hábitos simples. Extremamente religioso, era presença assídua nas missas de domingo pela manhã no Santuário no centro da cidade, onde integrava um grupo de devotos a Maria e que tinha como característica mais visível a vistosa fita azul no pescoço de cada um deles. Não perdia uma Romaria dos Homens, a qual percorria devagar com o terço na mão.
Muitos contam que Vasquinho, que não perdia uma feira livre e um cafezinho para um prosa sem compromisso, visitava seus eleitores, nos barracos e casas simples da cidade, com um pacote de linguiça debaixo do braço. Entrava, cumprimentava a família, e dizia que iria almoçar ali. O cardápio: uma linguicinha frita, é claro. O poder de sedução do ex-prefeito chegava até o estômago do eleitor. Ninguém resistia.
Ele surgiu na política como um vendaval varrendo do mapa os tradicionais caciques da política canela-verde. Em 1982, numa eleição histórica e com o apoio do Partido Comunista Brasileiro (PCB), então na clandestinidade, foi eleito pela primeira vez prefeito de Vila Velha. Sua gestão foi marcada pela proximidade com os mais pobres e pela participação popular na definição do orçamento da cidade. Era o auge do protagonismo dos movimentos sociais, ligados majoritariamente a partidos de esquerda ou às Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) da Igreja Católica.
A coerência com seus ideais foi sua marca. Vasco Alves se dizia um homem de esquerda, embora não se proclamasse um socialista ou mesmo comunista. E até o final da vida combateu os que definia como “conservadores” ou “neoliberais” e a quem identificava como mais à direita no espectro político.
Vasquinho apoiou mais recentemente os governos do PT e não hesitou em defender o mandato da então presidente Dilma Rousseff. Era um cruzado contra o impeachment da petista.
Nos últimos 30 anos, sem capital político e eleitoral, Vasco Alves fracassou nas urnas. O ex-campeão de votos, que concorreu a governador e a prefeito, não conseguia se eleger sequer a deputado.
Um destino político cruel para o homem que cansou de ser carregado nos braços do povo mais simples. A marca do carisma e da bondade com os mais humildes, entretanto, essa jamais será apagada. E fica o lamento: precisava ir embora agora, Vasquinho? PQP, Vasquinho!

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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