Sem ter havido uma convocação formal, o presidente da Câmara de Vereadores de
Água Doce do Norte, conhecido como Roberto Cigano,
deu posse, às 10h42 desta terça-feira (14), ao vice-prefeito Jacy Donato (PV) no comando do Executivo Municipal. É mais uma polêmica na conturbada situação política do município de pouco mais de 11 mil habitantes, encravado na região Noroeste, na divisa com Minas Gerais, a 280 quilômetros de Vitória.
Como a coluna informou, a Lei Orgânica Municipal omite a obrigação de o vice pedir autorização para deixar o município por mais de 15 dias, o que contraria a Constituição Federal, segundo especialistas ouvidos tanto pela coluna quanto pela reportagem de A Gazeta nos dias seguintes.
O vereador Alonso Cordeiro (PV) registrou a foto acima e disse que já está se mobilizando para impugnar a posse feita hoje por entender que se configura ausência de procedimento ritual legal. Ele vê o ato como uma tentativa de salvar politicamente Jacy, pois o MP já entrou com uma ação de improbidade e o
Ministério Público de Contas oficiou a Secretaria Municipal de Administração para, em 48 horas, responder se o vice-prefeito estava de férias ou licenciado.
“Nós não fomos dar posse a ele não. Eu e mais dois vereadores ficamos nos bastidores, na sala dos vereadores. Eu não assinei o termo de posse, só foi o vereador Rodrigo, o presidente da Câmara”, relata Cordeiro.
O parlamentar refere-se aos colegas Edmar Brum da Fonseca (SD) e Joazi Fernandes Batista (PP). Alonso só foi à entrada do plenário da Câmara Municipal para tirar a foto que está nesta matéria da coluna.
Durante os dois anos que passou fora do país, Jacy recebeu normalmente o salário de R$ 5.750 todos os meses, conforme confirmou a procuradoria da prefeitura. Diante da repercussão do caso, Jacy deu um jeito de largar tudo em Nova York e voltar "correndo" para o município, chegando hoje de manhã à cidade, segundo se comenta em Água Doce.