"Por acaso alguém tem o ‘direito’ de colocar a vida das pessoas em perigo?"
“Meus filhos,
Que todos se sintam abençoados, com a graça de Deus. Estou aqui de volta e, a pedido da coluna, envio uma singela mensagem a todos vocês. Como sempre, neste período de Natal, estou ocupadíssimo, embora neste ano, especialmente no Brasil, não tenha conseguido muitos recursos para comprar presentes.
Aquele moço, o Paulo Guedes, me atrapalhou muito. Também, pudera, ele reclama das domésticas na Disney, dos filhos de porteiros que fazem faculdade… Sabem o que eu acho? Esse ministro odeia os pobres. É um adepto da aporofobia, como bem diz o padre Júlio Lancelotti.
Mas, embora com muitas dificuldades - gasolina cara, inflação sem controle, impostos altíssimos -, fiz o possível para atender a todos, especialmente as crianças, de quem nunca canso de admirar o brilho nos olhos quando elas estão felizes.
Neste ano, embora seja eu quem dê os presentes, vou ousar pedir um também. Diante de tanto sofrimento, de tantas perdas, como pode alguém se recusar a tomar a vacina contra a doença pandêmica? E, pior, tem gente que ainda faz campanha contra os imunizantes, os conhecidos antivax.
E não é só no Brasil, apesar de o péssimo exemplo vir lá de cima, do Palácio do Planalto. Até na rica e civilizada Europa milhares de pessoas têm saído às ruas para lutar pelo ‘direito’ de não serem vacinadas. Direito? Por acaso alguém tem o ‘direito’ de colocar a vida das pessoas em perigo?
Engraçado: na hora em que as pessoas querem ter orientação sexual própria e outros direitos correlatos, a maioria desses negacionistas é contra e muitos invocam até preceitos religiosos (deles) para regular a vida dos outros. Nessa hora não vale a liberdade, né?
Por favor, sejamos racionais e ao mesmo tempo fraternos e solidários. Você que ainda não se vacinou, procure logo uma unidade de saúde e se imunize contra a Covid. Você que faz propaganda contra o imunizante, faça um exame de consciência e passe a estimular todo mundo a se vacinar e lutar pela vida.
Não dê mau exemplo para seus filhos. Chega de tantas mortes, de tanto sofrimento. Não siga aquele moço de Brasília que só fala em armas e faz tudo para boicotar a vacinação. Você não tem nada a ganhar com isso. Preocupe-se com a sua história, com a herança moral que você vai deixar. Não fique conhecido por ser uma pessoa que, por ignorância, má-fé ou cálculo político, é um arauto da morte, do sofrimento.
Se você ainda não estendeu a mão para o seu semelhante, comece a preparar o braço para a vida.
Você é um presente de Deus, você importa, você é fundamental! Não coloque sua vida e a dos seus irmãos em perigo. Não precisa acreditar em mim, mas acredite na vacina. Acredite no amor, acredite na vida.
Um santo e Feliz Natal a todos.”