O período compreendido entre janeiro e maio de 2020 representa o de maior número de mortes provocadas por confrontos com a polícia nos últimos cinco anos no
Espírito Santo. De 2016 a 2019, a quantidade de óbitos havia sido de 14 nesse mesmo período. Contudo, neste ano, os casos saltaram para 17. As informações são do
Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Janeiro foi o ápice das ocorrências, com seis registros. Já em fevereiro foram duas. Março e abril tiveram, cada, quatro casos do tipo, enquanto maio teve uma situação do gênero. Todas as mortes foram provocadas por uso de
arma de fogo, ou seja, quando policiais estiveram envolvidos em tiroteios.
Verificando as ocorrências por cidades, é possível notar a liderança de
Cariacica – que recentemente ganhou mais 180 dias de presença da Força Nacional – e de Vitória, ambas com três casos, cada. Aracruz e Serra tiveram, cada, dois óbitos do gênero. Os restantes dos confrontos que resultaram em perdas de vidas aconteceram em Baixo Guandu, Colatina, Conceição da Barra, Ibiraçu, Linhares, Marechal Floriano e Pinheiros.
A estatística também mostra um dado lamentável e que reforça a cooptação prévia do crime: 11 das 17 pessoas que morreram nesses confrontos estavam na faixa etária de 15 a 29 anos – somente dois tinham de 30 a 59 anos, enquanto quatro casos não dispunham desses dados. Seis dos mortos tinham
pele preta, outros três, pardos, e mais dois brancos. Seis não tiveram detalhados sua cor/raça. Em todos os 17 casos, os mortos são homens.