A Cousa, que levará todo o seu catálogo para a Flip, com quase 70 títulos, vai ocupar o prédio onde funcionava a cadeia pública de Paraty, em parceria com outras editoras como a 34
A Cousa vai ficar na antiga cadeira de Paraty.Crédito: Divulgação
Pelo segundo ano consecutivo, a editora capixaba Cousa foi convidada e vai participar da Flip, o mais conceituado evento literário do país, que será realizado de 10 a 14 de julho em Paraty (RJ). Neste ano o autor homenageado é Euclides da Cunha, autor do clássico “Os Sertões”.
O catálogo
A Cousa, que levará todo o seu catálogo para a Flip, com quase 70 títulos, vai ocupar o prédio onde funcionava a cadeia pública de Paraty, em parceria com outras editoras como a 34. Alguns livros da Edufes, a editora da Ufes, também estarão disponíveis no estande da Cousa.
Desceu da montanha
Tem gente até estranhando, mas é fato: um posto em Montanha, no extremo Norte do ES, está vendendo gasolina por R$ 4,39.
Lembrete ao prefeito
Vence no final deste mês o prazo que a Prefeitura de Vila Velha se autoconcedeu para entregar ao Iphan-ES o projeto de restauração da estação ferroviária de Argolas. O prédio histórico está abandonado. Pena.
Pós-enchente
Adiada por causa dos alagamentos, a sessão solene da Câmara para comemoração dos 484 anos de Vila Velha será realizada no dia 2 de julho.
Hora da decisão
Nesta quinta-feira a Câmara de Guarapari decide se afasta o vereador Dito Xaréu, por até 120 dias, para apurar denúncias de áudios com pedidos de propina atribuídos ao parlamentar.
Ordem na Ordem
Elisângela Melo, candidata derrotada à presidência da OAB-ES, reclama que agora tem um segurança na porta da presidência da Ordem. “Nem nos tempos em que dr. Agesandro (ex-presidente) combatia o crime organizado e sofria ameaças graves de morte, a gente via isso por lá”.
O que diz a OAB
A OAB-ES explica que recebe diariamente um grande fluxo de pessoas e que o objetivo da contratação do serviço de segurança é “oferecer maior tranquilidade aos advogados que frequentam a sua sede e aos funcionários que nela trabalham”.
Festa tailandesa
Quem visita o Espírito Santo nesta quinta é o embaixador da Tailândia, Surasak Suparat. Vem prestigiar o encontro cultural e gastronômico “Sabores da Tailândia”, na Ilha do Boi, promovido pela Fecomércio/Senac.
Alô, diretor!
Você deixaria o menino Neymar se matricular no seu jardim da infância?
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MINIENTREVISTA
“Anchieta é um tesouro escondido no ES”
Vice-reitor do Santuário Nacional São José de Anchieta, o padre Bruno Franguelli destaca a tolerância do santo, reafirma o apoio dos jesuítas ao papa Francisco e admite que o discurso de Bolsonaro seduziu muitos católicos: “Alguns cristãos cederam à tentação de acreditar na vinda de um salvador político”.
Anchieta e sua obra ainda são pouco conhecidos do povo capixaba. Por que isso acontece?
O padre José de Anchieta sempre foi apaixonado pelo Estado do Espírito Santo. Era um homem sempre em movimento, andou por todo o Brasil até então conhecido. Mas dedicou-se de modo especial ao Espírito Santo. Aqui viveu como superior na casa de São Tiago, atual palácio do governo do Estado, pregou sermões, apresentou inúmeras peças teatrais, fundou hospitais, aldeias, realizou grandes milagres e aqui passou seus últimos instantes de vida. Era tido por todos ainda em vida como verdadeiro santo, pai e protetor dos nativos. Morreu com fama de santidade e esta espalhou-se por todo o mundo rapidamente. O pedido por sua canonização foi velozmente feito a Roma. Até o grande literato padre Antônio Vieira solicitou sua canonização. Testemunhos de suas virtudes foram recolhidos em todo o Brasil. O processo começou, mas com a perseguição pombalina e a expulsão dos jesuítas do Brasil, muitos manuscritos e materiais relacionados a Anchieta desapareceram. A calúnia de Pombal permanece até hoje nos livros de História. Houve uma tentativa imensa de apagar a imagem de Anchieta da memória do Brasil. Mas, graças a Deus, não conseguiram. O legado de Anchieta continua vivo e tem algo a falar a todos os brasileiros, independentemente de suas convicções religiosas ou políticas. O povo capixaba, de modo especial precisa redescobrir o grande tesouro escondido dentro do seu belíssimo território.
O que o santo jesuíta tem de atual?
Anchieta era um jovem de apenas 19 anos quando veio para o Brasil. Um menino cheio de sonhos e com uma capacidade intelectual impressionante. Desde sua chegada, Anchieta promoveu o encontro de culturas e jamais permitiu que uma anulasse a outra. Foi um homem de tolerância e respeito ao diferente. Foi professor dos indígenas, mas primeiro tornou-se aluno deles, porque quis aprender deles sua língua, o sentido de seus costumes e sua cosmovisão. Esta tolerância e, mais do que isso, admiração do diferente tem muito a dizer ao homem de hoje.
Francisco está sendo acusado de heresia por setores conservadores da Igreja. Qual a visão dos jesuítas sobre o papa?
Francisco é o primeiro papa jesuíta da História. Nós jesuítas sempre estivemos na vanguarda da Igreja. O carisma do nosso fundador, Santo Inácio, sempre exigiu de nós uma profunda fidelidade ao Evangelho de Cristo. O mesmo Evangelho exige de nós uma posição coerente com seus valores nas diversas realidades onde estamos inseridos. Entendemos em nossa missão atual que o serviço da fé e a promoção da justiça são realidades inseparáveis. O papa tem essa visão. Ele se posiciona coerentemente. Não teme as adversidades e incompreensões. Nós jesuítas o apoiamos, não simplesmente porque ele faz parte da nossa família, mas porque sempre apoiamos os papas, esta atitude faz parte do nosso carisma.
O turismo religioso poderia se tornar uma alternativa econômica sustentável à paralisação da Samarco na cidade de Anchieta?
A cidade de Anchieta sofreu e ainda sofre com a paralisação da Samarco. Talvez fosse o momento de ter um olhar mais atento à grande riqueza que é a presença do Santuário nesta cidade. Particularmente acredito que a cidade de Anchieta é um dos lugares mais belos não só do Estado, mas do Brasil. As riquezas naturais unidas ao turismo religioso podem sim proporcionar desenvolvimento sustentável não somente para o município, mas para o Estado. Para que isso aconteça, de fato, são necessários passos concretos. Um projeto que já existe e tem condições de ser potencializado são os Passos de Anchieta, que poderia ser percorrido não simplesmente uma vez ao ano, mas permanentemente.
Por que muitos católicos apoiam Bolsonaro?
Os tempos de crises precisam ser vividos com muito cuidado. Já os tempos bíblicos nos advertem sobre esta realidade. No tempo de Jesus, as crises com o Império Romano suscitaram a espera de um messias com perspectivas políticas e equivocadas. Hoje acontece algo semelhante. Alguns cristãos, entre eles, católicos, cederam à tentação de acreditar na vinda de um salvador político. Bolsonaro, com seu discurso agressivo e direto, ganhou as atenções e afeições de muitos religiosos. Com seu discurso repleto de elementos religiosos, característico de líderes que querem ganhar as massas, conquistou muitos católicos. Atraiu as atenções, principalmente, dos que defendem a volta de um catolicismo mais ligado ao antigo padroado que às determinações oficiais da Igreja atual, que defende a laicidade e a independência do Estado. Parece contraditório que alguns católicos sejam capazes de ignorar e até acusar as palavras e atitudes do papa para defender suas ideologias personificadas no governo atual. Assim, aproximam-se mais de uma religião mais independente e estatal que da Igreja Católica, que tem como elemento-chave em sua doutrina a comunhão e a obediência ao papa. Se alguns se negam a ouvir o próprio papa, a estudar o Concílio Vaticano II e a considerar as orientações da CNBB, como poderiam ainda se considerar católicos?
Leonel Ximenes
Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.