O alambique Dose Clássica, que fica em Santa Cruz,
Aracruz, chegou a ficar parado por 20 anos, voltou em grande estilo e agora se prepara para disputar o 27º Concurso Mundial de Bruxelas, em busca de mais medalhas para sua coleção na tradicional competição.
Embora leve o nome da capital belga, por ter começado na cidade europeia, a competição, que é realizada anualmente, neste ano será disputada entre 7 e 11 de setembro, na cidade de Jalisco, no México. O resultado está previsto para a primeira semana de novembro.
Para a edição deste ano a marca capixaba enviou três amostras: a Castanha do Pará, a Amburana e a .50, que apesar de ter grau alcoólico 50 é considerada muito saborosa.
Anualmente são produzidos cerca de 30 mil litros de cachaça que rendem 14 tipos da bebida. De uma tonelada de cana, o alambique fabrica cerca de 100 litros do destilado. O canavial é próprio e a levedura exclusiva.
No rigoroso processo de filtragem e armazenamento a cachaça passa por dois filtros, cobre e celulose, antes de ser armazenada em aço inoxidável e, posteriormente, nos barris de madeira (jaqueira, bálsamo, jequitibá-rosa, amburana, carvalho americano).
Para preservar a pureza, a Dose Clássica não utiliza água para diluir o teor alcoólico, como a maioria dos produtores faz. O sistema de fogo direto, que aquece o alambique, é outro diferencial que ajuda a promover aroma e sabor.
A cachaça branca, utilizada como matriz para as demais, fica, pelo menos, um ano no barril de inox antes de ser vendida ou depositada nos barris de madeira. Lá, as bebidas permanecem, no mínimo, mais dois anos antes de serem comercializadas em embalagens que vêm da
França, México e Chile, além do Brasil.
“O Concurso Mundial de Bruxelas é o mais badalado no mundo. Quem consegue uma medalha lá, nem que seja de prata, é diferenciado porque os critérios de avaliação são muito severos. Tenho orgulho de ter conquistado algumas, inclusive depois de tanta persistência para produzir a Dose Clássica. Espero trazer tantas outras para o Espírito Santo”, disse o empresário Ralphe Ferreira Júnior, que contou com a ajuda de Nelson Duarte, especialista em cachaça.
“Pela minha experiência, o diferencial da Dose Clássica é o processo produtivo que é quase que exclusivo e a maneira como as cachaças são envelhecidas nas madeiras, com uma qualidade superior e extremamente refinada”, destacou Duarte, paulista radicado há 12 anos em
Fortaleza (CE).