O empresário capixaba Humberto Kerr e sua mulher, Simone Oliveira, não conseguiram embarcar para o Brasil ontem (20) à noite no Aeroporto de Santiago. Os voos foram cancelados e as lojas do terminal foram fechadas por causa da onda de protestos que atinge o Chile. O motivo inicial da revolta foi o aumento no preço da passagem do metrô da capital chilena, agora revogado pelo governo depois da intensa pressão popular.
“Chegamos (a Santiago) na sexta-feira à noite e já fomos alertados das manifestações. Elas começaram mais simples durante a semana, por causa do aumento da tarifa do metrô, se intensificaram na sexta-feira e no sábado fomos orientados pelo hotel para ter cuidado em alguns pontos. As manifestações se intensificaram muito no sábado. Pontos turísticos e os museus foram todos fechados”, conta.
Até em regiões de grande concentração turística, como o Pátio Belalvista, havia manifestações, segundo o capixaba. “No sábado, vimos muitas patrulhas do Exército e dos carabineiros (polícia chilena) nas ruas. Não nos restou outra alternativa a não ser retornar para o hotel. No hotel a situação também estava muito tensa e, às 20 horas, foi decretado o toque de recolher. Ficamos todos presos no hotel”.
No domingo, a situação parecia que ia melhorar, mas à tarde o clima de tensão voltou, segundo Kerr. “Deu um aliviozinho até por volta de meio-dia, uma hora, mas a partir daí houve nova manifestação, com trabalhadores e estudantes com panelas. Também apareceu o pessoal mascarado e aí entra a baderna. Dois supermercados e um fast-food foram incendiados, havia muito saque, muito roubo.”
O caos generalizado em Santiago trouxe ao empresário a lembrança da greve da PM no Espírito Santo em fevereiro de 2017. “Me lembrou muito aquela situação caótica que a gente encontrou em Vitória.”
Humberto Kerr conta que, no domingo, soube que iria acontecer novo toque de recolher e por isso foi para o aeroporto para embarcar à noite para o Brasil. Mas o pior aconteceu: “No começo havia uma certa normalidade, mas na sequência as lojas começaram a fechar e houve um pânico geral porque as pessoas queriam comprar as coisas nas poucas lojas abertas. A partir daí, começou uma sequência de cancelamentos. Todos os voos foram cancelados”.
A madrugada foi tensa no Aeroporto de Santiago. “Havia filas para se tentar conseguir alguma coisa para comer ou beber, e o pessoal se jogou no chão. Após uma espera de três horas, comemos um sanduíche numa lanchonete onde havia apenas um funcionário.”
Kerr e sua mulher tiveram que dividir um assento para dormir, mas a maioria dos passageiros não teve a mesma “sorte” e foram obrigados a dormir no chão.. O voo do casal foi reagendado para esta segunda-feira (21), às 23h30. Eles deveriam ter chegado hoje ao Brasil às 7h30.