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Leonel Ximenes

Big Brother na floresta: filhote de gavião filmado 24h no ES deixa o ninho

O nome da pequena harpia, que nasceu na  Reserva Natural Vale, em Linhares, será decidido em votação pela internet

Públicado em 

05 mar 2021 às 02:00
Leonel Ximenes

Colunista

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A harpia, conhecida também como gavião-real, nasceu em 2019, pode migrar agora até para o Sul da Bahia
A harpia, conhecida também como gavião-real, nasceu em 2019 e pode migrar agora até para o Sul da Bahia Crédito: Projeto Harpia/Ufes
O primeiro filhote de harpia registrado na Reserva Natural Vale, em Linhares, no Norte do ES, está deixando o ninho pronto para alçar voos mais longos. Considerada a maior ave de rapina encontrada no Brasil, o gavião-real, como também é conhecida a espécie, foi monitorado 24h por câmeras ao longo de dois anos.
Os pesquisadores do Projeto Harpia, da Ufes, acompanharam os principais saltos de desenvolvimento da jovem fêmea, que agora poderá decidir ficar na área, um remanescente de 50 mil hectares de Mata Atlântica, ou mesmo migrar para fragmentos de floresta no Sul da Bahia.
O nome da pequena harpia será decidido em votação on-line. Os pesquisadores selecionaram, junto com crianças da região, quatro nomes indígenas para votação popular. Até 17 de março é possível escolher entre Anahi (Bela Flor do Céu); Araci (Mãe do Dia); Aruana (Sentinela); e Ñarõ (Selvagem) no site www.vale.com/rnv.
O ninho foi descoberto em 2016 por observadores de aves, e desde março de 2017 uma câmera instalada pelos pesquisadores do Projeto Harpia na copa de uma árvore monitora o comportamento das harpias no ninho. A câmera flagrou o namoro do casal em várias oportunidades. A fêmea chegou a colocar ovos outras vezes e chocá-los, mas os filhotes não nasceram. Em março de 2019, finalmente, um filhote nasceu e sobreviveu.
Pelas câmeras, foi possível acompanhar os principais saltos de desenvolvimento da pequena fêmea. Com pais protetores, ela iniciou seus primeiros voos com cerca de cinco meses de idade e com cerca de um ano começou a explorar a floresta. Agora, aos 2 anos, começa a se dispersar para longe dos cuidados dos pais.

AVE PODE MIGRAR ATÉ O SUL DA BAHIA

Quando tiver entre 4 e 5 anos, idade em que chegará a sua maturidade reprodutiva, terá a difícil tarefa de encontrar um parceiro para reprodução. A expectativa é de que ela se estabeleça na região, que é o maior remanescente de Floresta Atlântica de Tabuleiro preservado, com aproximadamente 50 mil hectares, formado pela Reserva Natural Vale e pela Reserva Biológica de Sooretama, ou se disperse pelo Corredor Central da Mata Atlântica para outros fragmentos de floresta do Espírito Santo e Sul da Bahia.
A espécie se alimenta principalmente de animais arborícolas como macacos e bichos-preguiça. As harpias adultas podem medir de 90 a 105 cm de comprimento, com até 2 metros de envergadura de asas, e pesar de 4 a 5 kg (machos) ou 6 a 7 kg (fêmeas). Seus ninhos podem chegar a 1,9 m de comprimento por 2 m de largura, em árvores majestosas como jequitibás-rosa e imbiruçus na Mata Atlântica.

Projeto monitora 60 ninhos de harpia em todo o país

O Projeto Harpia estuda a harpia e outras águias desde 1997, e anualmente monitora em média 60 ninhos de harpia nas florestas brasileiras da Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica. Atua ainda nos cuidados de harpias resgatadas machucadas que após um processo de reabilitação são devolvidas a natureza. No Espírito Santo e no Sul da Bahia, o Projeto Harpia mantém um núcleo que monitora a população da espécie na área do Corredor Central da Mata Atlântica, coordenado na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Conservação da espécie

A Gazeta

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Feedral do Espírito Santo.

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