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Estudo

Viver para sempre... quem quer?

Pela primeira vez na ciência, uma ação mostrou-se capaz de ter ação direta na duração da vida, para mais ou para menos

Publicado em 11 de Maio de 2023 às 00:10

Públicado em 

11 mai 2023 às 00:10
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

A expectativa de vida do homem aumentou exponencialmente no século XX e segue aumentando, apesar dos soluços causados em 2020 e 2021 pela pandemia que interrompeu a vida de muitos idosos, principalmente. Afinal, é próprio do homem querer viver mais e melhor. A busca pela vida eterna é relatada em textos gregos e romanos desde o historiador Heródoto. A busca pela fonte da juventude levou o espanhol Ponce de Leon a descobrir a Flórida.
O estudo das razões do envelhecimento e se há mecanismos possíveis de evitá-lo é um campo fascinante da ciência. À medida que os seres vivos envelhecem, uma série de processos moleculares no interior das células fica menos confiável, mais sujeito a erros. Mutações genéticas ficam mais frequentes, bem como extremidades dos cromossomas não são copiadas, tornando-os mais curtos a cada divisão celular.
Até recentemente a maioria dos pesquisadores têm estudado o efeito do envelhecimento nos genes, em suas mutações, e erros que se traduzem em tumores, entre outras doenças típicas do avançar da idade. Pesquisas anteriores também mostraram que dietas com menos calorias retardam o envelhecimento.
Em abril passado, biólogos da universidade de Colônia, na Alemanha, publicaram no periódico Nature um estudo muito interessante e original. Os pesquisadores alemães estudaram a RNA polimerase II (POL II), enzima responsável pela transcrição do DNA em RNA, evento essencial para o funcionamento celular, em cinco seres vivos diferentes: vermes, moscas de frutas, ratos, camundongos e humanos.
Descobriram que essa enzima, POL II, se torna mais veloz à medida que os animais envelhecem, mais veloz e menos precisa, errando mais. Os pesquisadores de Colônia editaram mudanças na enzima POL II, tornando-a mais lenta. Surpreendentemente, em todas as espécies, lentificando a enzima, os animais viviam 10-20% mais tempo. Editaram os genes, revertendo a mutação e os animais (todos) tiveram expectativa de vida encurtada.
Pela primeira vez na ciência, uma ação mostrou-se capaz de ter ação direta na duração da vida, para mais ou para menos. O estudo em humanos por enquanto é em nível celular. Mas é fantástico ver experimentos que podem influenciar no tempo e expectativa de vida de seres humanos, não é mesmo?

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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