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Covid-19

Tropeços do dragão: afinal, o que está acontecendo com a China?

Transtornos com o lockdown no país vão mostrando que nem o poderoso dragão chinês consegue impedir indefinidamente um vírus respiratório de circular

Publicado em 05 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

05 mai 2022 às 02:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

Pequim
Pessoas enfrentam fila para a realização de testes de detecção de coronavírus no segundo dia consecutivo de testagem em massa em Pequim Crédito: MARK SCHIEFELBEIN/AP/Estadão Conteúdo
O que está ocorrendo com a China? A cidade mais rica e populosa, Xangai, em um confinamento interminável! Pode chegar aqui? São perguntas que tem surgido. A China, berço do novo coronavírus, foi muito eficiente no combate à pandemia em 2020 e 2021, após um tumultuado início, quando negou e tentou abafar sua existência, até mesmo punindo e ameaçando profissionais de saúde que a divulgavam.
Posteriormente foi ágil na identificação e sequenciamento do novo agente e nas medidas de controle. O país mais populoso do mundo teve pouco mais de 4000 mortes por Covid-19 desde 2020, um contraste vigoroso com as mais de 660 mil vidas perdidas no Brasil. Uma política de tolerância zero com a Covid-19 fazia algum sentido quando não havia vacinas ou medicamentos para enfrentar uma doença nova e imprevisível.
A nova variante Ômicron, com sua extraordinária capacidade de transmissão, está testando de modo muito duro a estratégia da China. Ironicamente, a eficiência com que o governo chinês protegeu sua população até aqui é seu calcanhar de Aquiles. Uma enorme população sem qualquer imunidade, parcial que seja, pela infecção natural, é muito suscetível à essa nova cepa.
Bem, e as vacinas? Uma parcela muito significativa da população idosa chinesa não tomou nenhuma vacina. A grande parcela vacinada recebeu Coronavac e Sinopharm, vacinas inativadas, que, entretanto, hoje sabemos, possuem eficácia menor e menos persistente, especialmente em idosos.
Lá também não ocorreu um estímulo maciço e rápido aos reforços O mais importante, porém, é que o governo chinês desdenhou o uso de vacinas estrangeiras como as de RNA da Pfizer ou Moderna, ou mesmo de adenovírus como AztraZeneca, todas com eficácia melhor e mais duradoura em pessoas acima de 60 anos de idade. Também não consta que o governo chinês tenha se interessado em comprar os novos antivirais da Janssen ou da Merck.
A realidade do Brasil em imunidade é diferente, o que pode vir a protegê-lo.
Xangai, a cidade mais rica da China, com 25 milhões de habitantes, está indo para quarta semana de duro lockdown. Pais separados de filhos, pessoas retiradas de suas casas, falta de alimento e assistência, protestos, transtornos imensos vão mostrando que nem o poderoso dragão chinês consegue impedir indefinidamente um vírus respiratório de circular.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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