Os exames regulares de avaliação médica, os chamados check-ups, podem ser mais ou menos sofisticados ou detalhados, dependendo do custo, idade das pessoas atendidas, fatores de risco envolvidos, etc. Hábitos, vícios, rotinas são investigados, mas nem sempre a qualidade do sono é inquirida. Pois deveria ser rotina das avaliações médicas.
A insônia ocorre em até um terço da população adulta. É enorme o número de pessoas que relatam dificuldade para iniciar o sono, ou de mantê-lo após despertares durante a noite, ou que acordam muito mais cedo do que gostariam. A sonolência diurna afeta o desempenho no trabalho, potencializa risco de acidentes no trânsito ou no trabalho, pode se associar a ganho de peso e a outras diversas alterações na saúde.
Embora seja enorme o quantitativo de pessoas que usam medicamentos para dormir, destacando-se os benzodiazepínicos, que aumentam o risco de queda em pessoas mais idosas; e embora em muitas circunstâncias o tratamento medicamentoso seja indispensável, a ciência mostra que a terapia cognitivo-comportamental é a mais segura e eficaz abordagem para insônia crônica.
Alguns pilares básicos orientam esta abordagem: em primeiro lugar, a higiene do sono: As pessoas com insônia devem tentar ir para a cama e sair desta no mesmo horário, todos os dias. Evitar estímulos luminosos artificiais como telas de celulares e tablets. Um bom livro impresso seria o mais indicado. Ser parcimonioso com uso de álcool, que pode até induzir a soneca, mas não permite sono de qualidade, facilitando interrupções noturnas.
Um diário de rotina de sono permite orientar também uma restrição ao uso da cama para apenas durante o período realmente eficaz de sono. Cama deve servir para amar ou dormir. Ler ou ver televisão na cama não ajudam a conciliar sono de qualidade. Quando a pessoa fica rolando no leito com dificuldade de conciliar o sono, melhor levantar-se e ler.
Diversas técnicas de relaxamento, respiração, meditação, retirar os pensamentos das preocupações do dia a dia, vão dar o entorno das técnicas cognitivo comportamentais que podem melhorar a qualidade do sono. Nosso estado tem diversos profissionais, médicos e psicólogos, treinados em orientar os pacientes nas técnicas de buscar sono de qualidade. Se você, caro leitor, está nesse terço de pessoas que sofre de insônia, procure ajuda. Uma boa saúde começa com dormir bem.